ARTICULISTAS

31 de março de 1964 – Movimento Militar ou Civil?

Leuces Teixeira
Publicado em 27/03/2014 às 10:35Atualizado em 19/12/2022 às 08:27
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Logo de início quero deixar bem claro, quando da chamada “revolução” de 1964, tinha apenas dois anos de idade, era um bebê, de nada sabia e entendia, menos ainda de política. Também, por uma questão de esclarecimento e transparência, quero deixar consignado que se tivesse com idade de compreensão e ação naquele momento, não iria ter a menor dúvida, ou seja: lutaria contra o movimento, iria para as ruas para respeitar a vontade do povo.

Querendo ou não o poder constituído, o presidente em questão – João Belchior Marques Goulart, o Jango – foi eleito pelo voto direto; naquela época votava-se para presidente e vice-presidente. O presidente eleito foi Jânio da Silva Quadros, que renunciou, essa é outra história. Eleito como vice-presidente o Jango; Jânio venceu com a coligação UDN/PDC/PTN/PL, derrotando o marechal Henrique Teixeira Lott – PSD, PTB –; em 7 de setembro de 1961, assumiu o vice João Goulart, governando o país até 2 de abril 1964. Pois bem, quase 50 anos depois, depois de tudo que já li e ouvi, costumo fazer a seguinte indagaçã o que ocorreu foi um movimento eminentemente militar ou civil?

Quando dos meus 16 anos até os 23 anos de idade, não hesitaria responder que foi coisa dos militares, “eles” tramaram tudo sozinho, derrubaram e botaram o Jango para correr, tendo em vista que queria alinhar com os comunistas, o Brasil seria um filial de Cuba e da URSS, iria socializar e tomar a propriedade de todos.

Enfim, o meu pensamento, verdadeiramente, caminhava nesse sentido, caso não ocorresse revolução, seríamos uma grande sucursal do socialismo. Hoje, ao cabo de mais de meio século de vida, depois de cursar duas faculdades – odontologia e direito –, quase um ano história na UFTM, ter lido muito e muito, não tenho mais essa convicção tão infantil quanto antes. Hoje não tenho dúvida alguma, o movimento foi mais civil que militar. Houve oportunistas de plantão? Claro que sim! Vou citar dois: Carlos Lacerda e Juscelino Kubitschek. O primeiro, um grande orador, articulista de primeira hora, que tinha pretensão presidencial; o segundo já tinha sido presidente e queria voltar de qualquer maneira, custasse o que custar, tinha lá suas vaidades e não eram poucas. Também, não tenho dúvida que Jango era muito fraco, medroso e despreparado para o cargo que ocupava; a presidência caiu no seu colo da noite para o dia. Aos olhos de uma falsa classe média que temia a figura de Leonel Brizola, um dos principais aliados de Jango. Daí argumento o cunho civil desse movimento, aliado aos grandes empresários e banqueiros do momento com medo de uma reviravolta – perda de prestígio, patrimônio, influência e poder.

Pouca gente sabe, Juscelino pregava: “No Brasil, elege-se pelo povo, mas governa-se com os olhos voltados para as classes armadas”; onze dias depois do golpe consolidado, Kubitschek votava no Congresso, de forma livre e consciente, para que o general Humberto Castelo Branco se tornasse o primeiro presidente do regime militar, tendo como vice um primo meio torto, um “grande mineiro” – José Maria Alkmin. O general Castello obteve vitória no Congresso Nacional, 361 votos de um total de 475, derrotando Juarez Távora – três votos –; e Eurico Gaspar Dutra – dois votos –; 72 abstenções; outros 37 não compareceram. Quem articulou em Minas Gerais? João Magalhães Pinto, governador e dono do segundo maior banco da época: o Banco Econômico. O movimento foi militar ou civil?

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