ARTICULISTAS

A clínica é soberana

Nilson de Camargos Roso
Publicado em 29/10/2022 às 18:34Atualizado em 16/12/2022 às 00:02
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O British Medical Journal, 1975, vol. 2, páginas 486 a 489, relata que, “para o diagnóstico da doença, a história clínica do paciente é onze vezes mais eficaz que os exames complementares e três vezes mais eficiente que o exame físico”. Daí, a clínica ser soberana e não se justificar nos dias atuais, que se peça o maior número possível de exames complementares, pois isto engana o paciente e traz sobrecarga financeira. No meio acadêmico, quando o paciente está internado e falece sem o diagnóstico, é então submetido à necropsia e o resultado dessa é levado à sessão anátomo-clínica, onde participam alunos e professores e a finalidade desta é procurar fazer o diagnóstico com os dados do paciente quando vivo e, no final, o último a falar é o patologista, trazendo os dados “pos-mortem”. Conclusã o bom médico é aquele que faz o diagnóstico correto com o paciente vivo, tratando-o, e não aquele que somente tem o diagnóstico com a necropsia, o que servirá apenas como ensino para o futuro, pois o principal, o paciente, já falecera.

Este preâmbulo é necessário, pois amanhã haverá eleição para a Presidência do Brasil. É necessário que sejamos bons clínicos, colhendo a história clínica de cada candidato, onde as ações de cada candidato têm que ser analisadas (capacidade de falar a verdade, de liderar e de formar novos líderes, de combater a criminalidade) e, acima de tudo, apregoar e de fato dar liberdade de agir e de emitir opiniões, e que, acima de tudo, não fale em democracia, mas que aja com democracia, pois palavras sem ações é perda de tempo. Os principais problemas que afetam nosso povo, é decorrente de uma crise moral, matriarca das demais crises que atravessamos. Os dois candidatos têm as suas imperfeições, onde o candidato ideal é aquele que existe somente em nossa ideia. É necessário usar a ética utilitarista, onde escolhemos aquele que é capaz de fazer o mal menor e desprezamos aquele que é capaz de promover o mal maior. Devemos, pois, votar com nossas convicções de que o nosso voto seja para aquele que transmitiu confiança em suas palavras e que possa garantir às nossas famílias, um futuro que desejamos para nós mesmos. Lembrar ainda:

1- Fanatismo é a negação da inteligência; 2- Após as eleições, evitar a arrogância dos vencedores e o inconformismo dos vencidos; 3- Que não nos arrependamos da nossa escolha por não termos escolhido pela clínica o melhor, ou seja, somente teremos convicção do nosso erro quando houver a necropsia do paciente chamado Brasil.

Nilson de Camargos Roso

Doutor em Anestesiologia, professor aposentado pela UFTM

n.roso@me.com

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