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"A Escola Paulista de Medicina é apenas uma escolinha"

Nilson de Camargos Roso
Publicado em 09/12/2022 às 18:15Atualizado em 26/12/2022 às 22:57
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Em 1988, no meu primeiro mandato como diretor da FMTM, as Ifes (Instituições Federais de Ensino Superior) foram convidadas a participar da cerimônia de comemoração dos 50 anos de fundação da EPM (Escola Paulista de Medicina). A comemoração foi feita de modo formal na sala de reuniões da Congregação da EPM, onde todos os professores titulares das disciplinas estavam presentes e vestidos a rigor com suas becas. A reunião foi dirigida pelo presidente da Congregação, prof. Osvaldo Ramos, titular de Nefrologia e filho do emérito prof. Jairo Ramos.

O prof. Osvaldo fez um discurso histórico, relatando a fundação da EPM em 1933 e que, naquela data, o nome escolhido foi Faculdade Paulista de Medicina (FPM). Porém, grupos de professores da Faculdade de Medicina de São Paulo, fundada em 12 de dezembro de 1912 e que veio futuramente a integrar a USP (Universidade do Estado de São Paulo), perguntavam ao meio médico paulistano “como é mesmo o nome dessa escolinha que estão fundando?” Relatou o prof. Osvaldo que a FPM resolveu aceitar o depreciativo termo Escola em vez de se denominar Faculdade, termo mais garboso. Nasceu assim a EPM. Porém, relatou o prof. Osvaldo que na recepção de cada turma de calouros que ingressava na EPM foi sempre relatado o motivo da escolha pelo termo Escola, e não Faculdade, com a finalidade de mexer com os brios de cada calouro, onde era dito a eles: “vocês foram admitidos não em uma faculdade, mas apenas numa escola, que nem é faculdade, mas vocês têm que mostrar a todos que esta escola é tão boa ou melhor que as demais faculdades”. Assim, naquela época, nasceu o chamado

“complexo de superioridade da USP”. Todos os cursos de Medicina criados no Brasil foram denominados Faculdades e o único que se autodenominou Escola foi o da EPM, que foi transformada em Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) em dezembro de 1994, na gestão do ministro de Educação Murilo Hingel, do governo de Itamar Franco. Contraprova de que o

“complexo de superioridade uspiano” persistiu em relação à EPM: FHC assumiu o governo em 1º de janeiro de 1995 e o então ministro da Educação, Paulo Renato Sousa, permaneceu nos seus 8 anos de governo. Uma das assessoras do MEC era a profa. Eunice Duham, da USP. Ela disse na minha presença e de outros dirigentes de Ifes: “foi um crime Itamar ter criado a Unifesp”. De fato, a EPM mostrou a todos que “aquela Escola foi superior a muitas Faculdades”: o curso de Medicina foi classificado em 1º lugar no Ranking Universitário da Folha de São Paulo de 2016, avaliação feita entre as universidades do país. Também apareceu entre as 22 universidades brasileiras no QS World University Rankings e entre as 18 universidades brasileiras no Center for World University Rankings de 2015. É reconhecida pelo Ministério da Educação como uma das melhores instituições de Ensino Superior do país, segundo o Índice Geral de Cursos de 2015. Mesmo transformada em Unifesp, esta manteve as iniciais EPM e, também ao lado do seu logotipo, uma árvore de lei tipicamente paulista, o jequitibá-rosa. Lá o pessoal apenas não esquece, mas também cultiva o passado.

Nilson de Camargos Roso

Doutor em Anestesiologia, professor aposentado pela UFTM

n.roso@me.com

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