O CODESFI (Conselho dos Diretores de Instituições Federais de Ensino Superior Isoladas) era composto por 13 IFES (Instituições Federais de Ensino Superior), ou seja, eram Faculdades Federais que não eram Universidades, que se reuniam a cada dois ou três meses para discutirem seus problemas comuns e, claro, propor soluções. A então FMTM era integrante do CODESFI.
Em 1.987 eu era o Diretor da FMTM e estava presente na reunião marcada para ocorrer em Mossoró, RN, na ESAM (Escola Superior de Agricultura de Mossoró), hoje Universidade Federal do Semi-Árido. Das 13 instituições integrantes do CODESFI haviam apenas 07 presentes. O Diretor da ESAM era Pedro Fernandes, um maranhense radicado na terra potiguar.
Concordando com os biotipos descritos na Psiquiatria, por ser pícnico, Pedro era falante, comunicativo e extrovertido. Certo dia, em Mossoró, Pedro disse aos Diretores presentes:
“vocês têm assistido as reportagens do futuro Presidente do Brasil ?”.
Não entendemos a pergunta e Pedro então explicou:
1- Jornal Nacional da Globo tem apresentado duas vezes por semana entrevistas de cerca de dois minutos com o governador de Alagoas, Fernando Affonso Collor de Mello;
2- Na época Collor pertencia ao PJ (Partido da Juventude) e nas reportagens estava sempre combatendo os marajás (pessoas de classe alta com cargos políticos mas que nada produziam para o Brasil, mas sim vivendo de altos salários sem contrapartida, pois nada produziam, repito).
Naquela oportunidade não levamos a sério a observação do Pedro. Dois anos se passaram. Em agosto de 1.989 acompanhei o Prof. Aluízio Rosa Prata a Rondônia, onde desenvolvia vários projetos de pesquisa. Prof. Aluízio e eu tomamos um avião pequeno e viajamos de Porto Velho a Cerejeiras, no sul de Rondônia, de onde seguimos de automóvel até às margens do Rio Guaporé, divisa do Brasil com a Bolívia. Prof. Aluízio visitou várias pequenas comunidades, todas ao longo do Rio Guaporé, onde viajávamos a noite em uma chata e durante o dia os locais de pesquisa eram visitados. Um dos locais visitados foi o de Pedras Negras, onde havia cerca de 30 casas e um grupo escolar.
Havia lá um gerador de energia elétrica, que funcionava das 18 às 22 horas, o que permitia aos moradores locais assistirem o Jornal Nacional em televisão com antena parabólica instalada no grupo escolar. Prof. Aluízio, perspicaz e entendedor da comunicação popular, sempre dialogava com as pessoas, por mais simples que fossem, ou até mesmo analfabetas. Estávamos no mês de agosto e a eleição para Presidente da República seria realizada em outubro próximo. Prof. Aluízio, neste local de Pedras Negras, perguntou a um senhor quem seria o candidato mais votado para Presidente em Pedras Negras.
Este senhor respondeu “estão falando que quem vai ganhar é o tal Fernando Collor”. Neste momento percebi que Pedro Fernandes acertara, pois distante mais de 3.000 km dos grandes centros, graças à Rede Globo, as mensagens subliminares de Fernando Collor iniciadas em 1.987 encontraram recepção em 1.989 em Pedras Negras. Collor agora criara um novo partido, cuja sigla era PRN, que significava Partido da Reconstrução Nacional. Às vésperas das eleições as pesquisas demonstravam que 90% dos eleitores “conheciam” Collor e apenas 60 “conheciam” Ulisses Guimarães, que iniciara na política quando Collor era um pré-adolescente.
Esta é mais uma prova que A REDE GLOBO DE TELEVISÃO ELEGEU COLLOR. Após viajarmos 600 km de barco pelo Rio Guaporé, chegamos a Costa Marques, onde visitamos o Forte do Príncipe da Beira. Voltamos a Porto Velho de carro, em viagem de 12 horas. Conclusã em 1.989 a Globo elegeu Collor e em 2022, juntamente com o TSE/STF, elegeu Lula.
Nilson de Camargos Roso, Doutor em Anestesiologia, professor