Desde o tempo em que houve as primeiras notícias sobre pedaladas fiscais...
Desde o tempo em que houve as primeiras notícias sobre pedaladas fiscais, as sucessivas manchetes sobre o escândalo do “Petrolão” que, por sinal, envolvia grande parte dos agentes do “Mensalão”, as evidências levantadas pela Polícia Federal e as denúncias lançadas pelo Ministério Público, principalmente aquelas deflagradas pela Operação Lava Jato, já era possível perceber que algo não ia bem, e cheirava mal.
Diante de tudo que acontece, seja por conta das denúncias de corrupção que enfileiram notícias em jornais por todo o mundo, seja por conta da desídia governamental, a intolerância popular ganhou corpo. Não por desejo de órgãos da oposição, mas sim de ver deflagrada uma infinidade de atos e omissões de interesses pessoais, concretizados através de negócios obscuros e fechados sob o manto do sigilo.
Não se trata aqui de relatar perseguição política e nem mesmo golpe, mesmo porque em março de 2013 a popularidade do governo Dilma Rousseff tinha aprovação de, nada menos, 65% (sessenta e cinco) por cento da população. Até este período ninguém, absolutamente ninguém, falava em impeachment, ou algo do gênero, pelo contrário. Ocorre, contudo, que a partir de julho do mesmo ano, os problemas enfrentados na área da Saúde, Educação, alta de impostos, taxa de juros, inflação e desemprego fizeram com que a queda da popularidade fosse caindo gradualmente, até que às vésperas da eleição de 2014, quando, enfim, as denúncias envolvendo a compra de uma refinaria pela Petrobras, terminaram por despertar todo o flagelo de fatos que culminaram na prova de existência de desvios de recursos e caixa dois.
Como se não bastasse, a omissão referente as questões de ordem orçamentária e as pedaladas fiscais ganharam relevância nas contas de 2014, e culminaram na evidência de ato típico de improbidade. A investigação do caixa 02 de campanha derivado das empreiteiras envolvidas na operação Lava Jato, por sua vez, foi evidenciado através de depoimentos dos próprios empresários e também dos publicitários, o que pode resultar em anulação da eleição presidencial de 2014 se os fatos forem comprovados pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Deve-se entender que toda a população, mesmo que defenda interesses e ideologias diversas, seja em setores políticos, econômicos, sociológicos, filosóficos e religiosos, está e continua consolidada em uma única base governamental, e sofre conjuntamente com as práticas de corrupção e com os precários serviços de Saúde, Educação e Segurança.
O povo que grita e sai às ruas não toma a medida por luxo, perseguição, preconceito, ou algo do gênero, mas o faz por insatisfação generalizada, pelo uso da mentira e omissão lançado pelos governantes ao deixar de assumir e relatar os problemas estruturais e econômicos do País. Ir ao Congresso e pedir a aprovação da CPMF como meta para cobrir o déficit foi a gota d’água.