Outro dia fui ao dentista e por coincidência ficava perto da escola onde estudei por onze anos de minha vida. Desde que cheguei a Uberaba, vindo de Santos, passei muito tempo ocupando o mesmo banco no Castelo Branco, escola pública, porém, tradicional da cidade. Bateu-me um misto de nostalgia e saudades. Cheguei a olhar por debaixo do portão só pra ver se a minha escola continuava a mesma. Aquele barulho do sinal, a gente correndo e falando alto no recreio, era inesquecível. De repente, aos 24 anos, me vi relembrando um passado recente, mas memorável.
Sempre fui muito apegado a minha mãe. Era do tipo de aluno que quando pequeno sempre chorava na porta da escola. Olhar minha mãe indo embora e eu ficando ali segurando a mão da “tia” não me traz boas lembranças. Eram manhãs de lágrimas nos olhos. Graças a Deus tive “tias” importantes nessa jornada do aprendizado, que estavam lá sempre dispostas a passar a mão em meu rosto e falar “Calma meu bem, tá tudo bem” e no fim tudo se acertava.
Lembro-me, um pouco mais velho, de uma professora de português, Sônia. Usava sempre roupas simples e um pequeno óculos, quase na ponta do nariz. Gostava muito de suas aulas. Sempre carinhosa, mas exigia muito de nós alunos. Enquanto ensinava adjetivos e sinônimos, nos ensinava também o respeito para com o próximo. Exigia muita correção nas relações entre, nós, alunos. Mas, pessoalmente, o que me faz recordar de sua figura, era seu perfume. Aquele perfume de rosas se espalhava por toda a sala de aula, assim como sua voz. Foram anos folheando livros de português e sentindo aquela agradável fragrância. A vida era realmente doce.
Chocou-me ver um vídeo que foi manchete em todos os jornais de uma inspetora de escola americana sendo maltratada por alunos dentro de um ônibus. As lágrimas, seguidas de palavras impublicáveis me entristeceram profundamente. E me fizeram refletir: ‘Aquilo sim, é um bullyng”, reflexo de uma sociedade caótica no que se trata da educação das crianças e da falta de limites e respeito. Na minha época de criança, que não faz muito tempo assim, eu jamais como aluno, pensaria em tal situação. No máximo tirávamos sarro uns dos outros de quando tínhamos que nos apresentar enfileirados para cantar o hino da bandeira, que só cantávamos com uma cópia na mão. Tenho consciência de que o mundo mudou, as escolas mudaram, os alunos mudaram. Mas por que esse cheiro incômodo de pólvora nas escolas de hoje se verdadeiramente podemos sentir o perfume das rosas?...