Sentado no meio fio, em meio ao passeio, e de frente à casa em que nasci. Revendo e rememorando os momentos vividos em minha saudosa infância.
Desde os três anos de idade, a rua já era minha alegria, e os filhos dos vizinhos, com idades semelhantes, os melhores amigos.
A rua foi mágica, e como qualquer operador de magias, fez vislumbrar nos detalhes coisas inimagináveis. Os grandes quintais eram o foco das reuniões e das brincadeiras! Mangueiras, jabuticabeiras, goiabeiras, pés de tamarindo, dentre outras frutas, integraram com estilo o nosso palco. Naquela época, poucos tinham carros, e nós dominávamos o espaço dos veículos.
Pique pega, polícia e ladrão, esconde-esconde, futebol, e até de estátua brincávamos com os demais. Os muros das casas serviam de bancadas para assistir às vizinhas tomando sol ou até mesmo trocando a roupa. O muro era mais que equilíbrio.
As brincadeiras entre meninos e meninas faziam revelar paixões, e o apertar das mãos fazia brilhar os olhos, e tremer o corpo, dos pés a cabeça! Sentado no passeio, o mundo era nosso. Visitar outros quarteirões trazia medo, mas ao mesmo tempo revelava o prazer da conquista!
A gente cresce, ganha novos amigos, até que quando a vida parece perfeita as surpresas, os desastres, atos que pareciam impossíveis e que nos levam ao solo aparecem. São coisas da vida?
Perdi pessoas queridas na minha vida, e em cada uma delas o sentimento de perda redobra suas forças, e todas as lembranças pipocam, minuto a minuto, fazendo relembrar o apanhar das jabuticabas, e a pergunta a Deus da razão daquele sentimento de paz não ser perpétuo.
Perdi um grande amigo neste final de semana, Carlos Alberto Penna, e o sentimento de perda bateu de frente, levando-me ao solo, ao ponto de questionar a Deus a razão disso tudo!
Sentando ao solo, como criança, em um brincar de bilocas, verdes, azuis, integro o meu amado amigo na partida, e outorgo a ele a oportunidade de começar o jogo, e sorrir com os disparates das batidas, e os estalos dos sons!!!
Vá em paz Meu Amigo! Que Deus, Seus Pais e parentes queridos, inclusive o irmão José Neto, te amparem nos lençóis do Céu, que amparam os bons!!! Valeu meu irmão!!!