ARTICULISTAS

A violência tem várias facetas

Peço licença aos leitores do Jornal da Manhã

Marília Andrade Montes Cordeiro
Publicado em 11/02/2014 às 19:37Atualizado em 19/12/2022 às 09:05
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Peço licença aos leitores do Jornal da Manhã para me envolver diretamente em um assunto, que, à primeira vista, poderia até ser ignorado, já que o provocador desta minha reação – o advogado Marco Antônio de Figueiredo – não cita nomes. Entretanto, os incidentes abordados em seu artigo, publicado na edição desta segunda-feira, 10 de fevereiro, são de conhecimento público, pois foram divulgados pela imprensa, e eu me sentiria omissa se não me posicionasse. As críticas que ele faz contra estes tempos de insegurança pública são reais, e concordo que é preciso se adotar  medidas urgentes com o objetivo de se reverter o processo de violência que tomou conta da nossa sociedade. O que me surpreendeu assustadoramente foi o fato de ele ter lançado mão de um drama enfrentado pela minha família para tentar atingir o Marquinhos e seu mandato de deputado federal. Os dois assaltos extremamente violentos dos quais minha família foi vítima, dentro da nossa residência, não provocaram apenas prejuízos financeiros. Estes são muitos, é verdade. Mas, acima de tudo, estão os prejuízos psicológicos que minha família e eu ainda estamos enfrentando. Estou em tratamento médico por causa disso, e não sei se conseguirei me sentir “normal” outra vez na minha vida. Estou me livrando, inclusive, do projeto de uma vida toda – que é a nossa casa. Não tenho mais condições de residir ali, por mais segurança que tenhamos providenciado. Me magoa perceber que um pai de família se veja no direito de usar seu espaço em um importante jornal para atingir uma família já tão violada em seus direitos. O artigo escrito por ele pode não ser uma violência física, mas me atingiu como se fora uma violência pessoal. Para criticar a violência, ele usou de outra violência. Não bastasse isso, tenta atribuir culpa a quem não tem culpa, ao dizer que Marquinhos não faz nada para acabar com o problema. Faz sim! Ele faz o que é de sua competência: legislar. Existem projetos de sua autoria tramitando no Congresso, o mais recente deles, inclusive, já com parecer favorável a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Seu projeto destina os bens apreendidos no tráfico de drogas para os programas sociais que visem ao tratamento e recuperação de dependentes químicos. O que mais ele pode fazer? Sair armado atrás de bandidos? Obrigar outros parlamentares a tomarem medidas como ele tem feito? Obrigar o Congresso a aprovar seus projetos? Obrigar as diferentes esferas de governo a acabarem com a violência? Os governos já nem escondem mais, que estão de mãos atadas, e perdendo a guerra para a violência. Como evitar que os juízes coloquem os bandidos nas ruas de forma recorrente? Será que o Marquinhos, enquanto pai de família, não está sofrendo com o que aconteceu em nossa residência? Será que ele não moveria mundos e fundos para amenizar a situação de violência, caso estivesse ao seu alcance? Será que ele não tem cobrado ações dos colegas deputados e do governo de Minas? Não creio que uma pessoa, em sã consciência, seja capaz de imaginar algo tão fora da realidade! Temos que refletir com consciência. É muito fácil jogar pedras e criar bodes expiatórios. Difícil é se colocar no lugar dos outros e dar um tempo antes de fazer isso. Gostaria de citar uma reflexão da Clarice Lispector:

“... Eu sempre serei eu mesma, mas nem sempre serei a mesma!”

(*) Mãe de família

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