O que representa a turma para o adolescente?
A turma ou o grupo representa o apoio necessário para o crescimento psicológico do jovem e, também, uma ferramenta importante para se emancipar da influência familiar. Ao se afastar dos pais, os jovens buscam por novas referências na turma, na qual se sentem entre seus iguais, onde se “enturma”. Assim, os grupos começam com integrantes do mesmo sexo, partilhando informações e confidências, só se aproximando depois de membros de outros sexos, de outros grupos.
É interessante observar que nesta fase o adolescente avalia o seu próprio valor baseando-se na aprovação, na aceitação e no reconhecimento de seus amigos, e, se ele encontra indiferença ou rejeição no grupo, sua autoconfiança e seu amor próprio podem diminuir.
O grupo proporciona ao adolescente bem-estar, experiência, emoções, companheirismo, cumplicidade e satisfação, e, aderindo a este, ele dá início ao seu processo de organização coletiva, conseguindo afirmar-se com segurança, tendo em vista o que os demais membros pensam e sentem como ele próprio. O adolescente sente-se mais livre para se exprimir, sem medo de incompreensões, pois os valores são comuns a todos. Assim, é no grupo que ele encontra espaço para desenvolver seu “ideal de eu” com segurança, o que facilita sua autoafirmação. Mas, se o jovem se submete de forma incondicional a um ideal coletivo, ele corre o risco da alienação, renunciando a sua autonomia e independência.
Considera-se que as amizades auxiliam os adolescentes a lidar com sentimentos complexos e revelar sensações internas que em outras circunstâncias permaneceriam reprimidas. O círculo de relações do adolescente geralmente é amplo, podendo se enquadrar em três categorias: a turma mais ampla, o grupinho mais íntimo e as amizades pessoais. A turma está presente nas atividades sociais, organizadas e maiores, onde o jovem se encontra com mais frequência e desenvolve um pouco de intimidade, sem amizade. O grupo mais íntimo possui um laço mais forte de intimidade e companheirismo; os membros trocam informações, compartilham preocupações e desejos, com muita intensidade. As amizades pessoais desse período são importantíssimas e, geralmente, duram a vida inteira.
As redes sociais, muito populares entre os adolescentes, resolvem bastante, como conversas, trabalhos da escola, encontros, notícias, contatos e até timidez.
Nesta fase, o adolescente em crise de identidade pode experimentar tristeza, angústia, revolta, passividade...
Assim como cresce o prestígio externo sobre os jovens, diminui substancialmente a influência familiar positiva e, neste sentido, convém à família atentar para o fato, visando o bem do adolescente sem privá-lo da convivência com bons amigos.
(*) Psicóloga clínica