Matusalém sabe que há um mundo muito além do paraíso... Acusar é fácil, talvez seja o exercício de um descarrego inconsciente pela recusa dos próprios defeitos inerentes à espécie humana. Não refiro-me à acusação técnica, obrigatória. Esta que também torna-se abjeta quando excede o limite do razoável. Falo da acusação gratuita ao semelhante, assim espúria, dada, impensada, lancinante, inconsequente e que, geralmente, já traz consigo a ousadia do julgamento sumário, sem permissão de defesa, sem ouvir razões. Certo é que acusar é muito mais cômodo que compreender. Afinal, embora a lição de Cristo pareça tão simples, didaticamente repassada por Francisco, "amar para ser amado, compreender para ser compreendido"... nós, humanos comuns, temos imensa dificuldade de absorvê-la e exercê-la. Seguimos atrevidos, pensando que nascemos prontos, sábios, e que as coisas devam ser como quisermos. Não sabemos, não permitimos ou, por nossa ampla ignorância terráquea, não aceitamos relativizar, admitindo nossas diferenças, sejam elas originais ou culturais. E assim, antes de olharmos para nós mesmos e sentirmos uma compaixão reflexiva, avançamos para a atrevida ofensa ao próximo, imputando e já julgando. Queira a sorte não se encontre o espelhar de si em outro ser, julgando-o com a mesma ira impetuosa, editando e condenando pela mesma sentença impiedosa, executando com espada igual à que diariamente destina ao irmão. Reclamar e cobrar é mais fácil que pagar. Que Deus tenha misericórdia, pois os céus certamente devem estar muito mais além do paraíso fictício!