Viver é um compasso de perdas. A cada segundo que se esvai perdemos um pouco da vida...
Viver é um compasso de perdas. A cada segundo que se esvai perdemos um pouco da vida. Daí tão valoroso o viver. Tão valoroso cada segundo vivido. Mas, entre perdas e perdas vamos aprendendo a ganhar experiência, maturidade, doçura, conteúdo, afinal, já nascemos sabendo que um dia perderemos a própria vida.
Muitas vezes essas perdas são por demais dolorosas. Seguem as lágrimas. As lágrimas são a hemorragia da alma, como o sangue do corpo. Incolores, mas não indolores, trazem em si o que escorre da dor e do lamento, externando o pranto da alma ferida pela perda temporária de alguma parte, ou de um amor.
A alma, no contexto, embora algum tempo ligada ao corpo terreno, é a única que jamais morrerá. Perde-se um amigo da convivência terrena, mas não o perderá da convivência lá na eternidade, pois a amizade não está presa a um corpo, que em algum momento se despede de nós, está sim ligada a alma do amigo, num contexto eterno.
Triste, recentemente, vi escorrer de meus olhos, do meu coração, a lágrima da alma pela passagem de um dileto amigo de quem sentirei saudades. Mas na harmonia de corpo e alma, no prazer do viver, por acaso selamos nossa amizade tomando um saboroso vinho, bebida dos Deuses que, não por acaso, chamava-se ALMA VIVA.
Resta-me tomar este vinho outras vezes brindando com o olhar no infinito pela amizade eterna, seguro de que, sua alma sempre estará viva, e ainda que, como já assinalei, amigo, amigo de verdade, nunca morre.