Ouvi perdida uma frase que afirmava: “Eu tenho um amigo que já morreu”. Um amigo...
Ouvi perdida uma frase que afirmava: “Eu tenho um amigo que já morreu”. Um amigo que já morreu!?
Certamente que quem disse estava apenas fazendo uma explicação fática em referência a uma pessoa, não propriamente ao amigo. Imaginei. Afinal, penso que até alguma falsa amizade possa morrer, deixando o amigo de ser, contudo, se não, amigo de verdade nunca morre. Foi o que me veio à cabeça. Sendo amigo, certamente não morreu.
Amigo meu não morre. Pode deixar a vida usual, pode estar onde estiver, mas amigo meu não morre, insisto. Sempre existe, “digo eu”. Dele me lembro, com ele celebro mesmo a sós, admiro, considero, reafirmo a afinidade de ser, os ideais e os atos que a amizade fizeram.
O morreu que se mencionou não valeu, pois, se dele mesmo amigo é, não morreu. Amigo não morre, friso; amigo sempre é, sempre será, sempre foi, nunca passará.
Pode estar lá, já do lado de lá; pode ter saído primeiro, mas meu coração nunca o deixou, ou deixará. Amigo meu para sempre viverá. Embora para explicar, eventualmente, tenha que se dizer do amigo que partiu, como quem morreu.
Todavia, parou seu corpo. Seu coração, porém não parou, prossegue ainda batendo no meu.
Portanto, digo que amigo meu partiu, mas amigo meu nunca morreu. Sempre me lembro do amigo meu, de um, dois, dez, lembro-me do tempo que comigo nesse mundo viveu. Mas a vida segue, e chegará o tempo meu.
E quando rever o amigo que nunca morreu, na comunhão do universo, teremos a força de construir no mundo infinito um elo eterno divino que nossa terra não mereceu.