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Ao meu pai, André Coimbra

Eu nunca chamei meu pai de pai. Ou era papai ou cara. “Papai, tudo bom?” “Cara, quanto ficou o jogo do Botafogo?” Para amigos, ele era o Dedé

Publicado em 12/02/2010 às 00:42Atualizado em 20/12/2022 às 08:09
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Eu nunca chamei meu pai de pai. Ou era papai ou cara. “Papai, tudo bom?” “Cara, quanto ficou o jogo do Botafogo?” Para amigos, ele era o Dedé. Para os conhecidos do tempo de futebol, era o Buião. E para o netinho, era o vovô.   Ele morreu neste ano. Ainda não sabemos a causa. Parece que foi um choque decorrente de dengue. Sabe aquelas coisas que a gente acha que nunca vai acontecer com a gente? Pois é, foi uma dessas. Não deu tempo de nada. Nem de despedir, nem de dizer para ele o quanto nós o amávamos. Tinha 54 anos. Apesar de ter passado por momentos difíceis (ele era bipolar, ou seja, alternava momentos de euforia e de depressão), vivia a melhor fase da vida. Especialmente por causa do neto. Os olhos dele brilhavam quando alguém dizia o quanto eles eram parecidos. Realmente, eles se parecem. Uma amiga me escreveu uma mensagem falando do “sorriso doce” que ele tinha. O mesmo sorriso eu vejo no meu sobrinho. E cada vez que eu olho para ele, eu vejo o meu pai.   Ele não tinha medo da morte. Sempre falava que a morte não era o antônimo de vida, mas que fazia parte dela. Mas isso não conforta quem fica. Não, de jeito nenhum. Hoje eu penso que não devemos deixar de expressar o que sentimos por uma pessoa querida para amanhã. Minha psicóloga fala que o amanhã não nos pertence, e é verdade. Portanto, não deixe de dar um abraço ou um beijo na pessoa que você ama por causa de orgulho. Abrace, beije, diga eu te amo. Não tenha vergonha. Se eu soubesse o que iria acontecer, eu o abraçaria e o beijaria todos os dias. Eu não sei o que acontece após a morte. Sei que para quem fica é muito doloroso. Cada lembrança dá um aperto no peito. O olho enche de lágrima. Fica um vazio. Meu pai escrevia neste jornal. Sobre tudo. Desde o vestido daquela universitária até a situação do clima na Terra. Ele adorava escrever. E eu achei que a melhor maneira de dizer o que eu sinto por ele seria assim, escrevendo. Então, aí vai: Papai, eu te amo!  

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