O Natal se aproxima e, com ele, somos chamados à reflexão sobre o verdadeiro sentido dessa data sagrada. Natal não se resume a confraternizações, mesas fartas ou encontros familiares. Natal é, acima de tudo, viver em comunhão com o Espírito Santo e praticar, no cotidiano, os ensinamentos deixados por Jesus Cristo.
Para milhões de brasileiros, porém, a esperança parece cada vez mais distante. Enquanto alguns celebram diante da abundância, muitos sequer sabem se haverá pão no dia seguinte. Crianças adormecem com fome, famílias sobrevivem à margem, invisíveis aos olhos de uma sociedade que, aos poucos, aprendeu a conviver com a desigualdade como se ela fosse algo natural e inevitável.
Jesus nasceu pobre, em uma manjedoura, e sua vida foi marcada pela convivência com os excluídos, os marginalizados e os esquecidos. Caminhou entre os que choravam, acolheu os rejeitados e ensinou, com palavras e gestos, que toda vida tem valor. Quando nos afastamos desse ensinamento, abrimos espaço para o abandono, para a dor e para a violência que hoje assola nossas cidades.
A pobreza e a marginalização não são apenas feridas sociais; transformam-se em combustível para a violência cotidiana que ceifa vidas, destrói famílias e espalha medo. A desigualdade sustenta a violência urbana, pois onde falta dignidade, sobra desespero. Onde o Estado falha, a injustiça se instala e a paz se torna refém.
Celebrar o Natal sem olhar para essa realidade é esvaziar seu verdadeiro significado. Natal é dobrar os joelhos e clamar por justiça; é reconhecer que todos são iguais perante a lei de Deus e que não pode haver paz verdadeira enquanto houver fome, exclusão e abandono. A própria Palavra nos adverte: “A fé, se não tiver obras, é morta.”
É tempo de partilhar o pouco ou o muito que temos, de estender a mão, de olhar para o próximo não como ameaça, mas como irmão. É tempo de compreender que a indiferença também mata e que o amor ao próximo é o único caminho capaz de romper o ciclo da violência.
Que o nascimento de Cristo reacenda em nós a compaixão, a responsabilidade social e o compromisso com um Brasil mais justo, onde a dignidade vença a desigualdade e onde a paz não seja privilégio de poucos, mas direito de todos.
Este é o clamor do verdadeiro Natal.