Paul é um australiano muito gente boa. É empresário e vive no mundo da inteligência artificial, IA. Em 2019, ele foi a um abrigo local, em Sidney, e adotou uma cachorrinha muito fofa e toda preta, a Rosie, que logo se converteu em companhia de todas as horas. E foram felizes para sempre, até maio de 2025, quando Rosie foi diagnosticada com um câncer muito agressivo.
Paul se desdobrou em cuidados com a amiga, e tudo o que era possível fazer foi tentado. Conseguiram interromper o crescimento do tumor, mas Rosie já tinha protuberâncias incômodas e dolorosas pelo corpo, e os veterinários deram-lhe poucas semanas de vida. Decidido a fazer todo o possível, Paul recorreu à sua área de especialidade e à sua rede de contatos.
É possível acompanhar toda essa saga no perfil do X do próprio, em @paul_conyngham. Em 20 de outubro, ele começou a aventura, que envolveu consultas ao ChatGPT, a outras ferramentas de IA específicas e a especialistas necessários, conforme caminhos se abriam.
Basicamente, decidiu-se por sequenciar o DNA do tumor da Rosie, transformando o tecido em dados puros. Depois, usando ferramentas de IA para analisar muitos gigabytes de mutações genéticas, foi possível identificar exatamente o “culpado” pela doença e desenvolver uma vacina mRNA específica, exatamente para aquele câncer.
Claro que Paul recorreu a especialistas locais na hora de fabricar a vacina propriamente dita. Foi no Instituto de RNA que a vacina foi sintetizada de verdade em nanopartículas. A primeira dose foi aplicada em dezembro de 2025; a segunda, em fevereiro de 2026, e já está prevista uma terceira dose.
O resultado foi, simplesmente, arrepiante. A maioria dos tumores “derreteu” ou encolheu drasticamente. Havia um, do tamanho de uma bola de tênis, que agora tem metade do tamanho. Não é a cura total, ainda há um tumor que resistiu, também já foi sequenciado e vai ter sua própria vacina desenvolvida. Mas os veterinários estão embasbacados com o resultado.
Importante comentar que Paul não tem formação nenhuma na área de ciências biomédicas, só motivação, mesmo. Esse caso já despertou atenção e pode ser o primeiro de uma tendência em tratamento individualizadíssimo de doenças agressivas. Força, Paul e Rosie, e vida longa a ambos!
Ana Maria Leal Salvador Vilanova
Engenheira civil, cinéfila, ailurófila e adepta da caminhada nórdica AnaMariaLSVilanova@gmail.com