Já são várias semanas recebendo informação sobre uma peça enormíssima que faz seu caminho pelas estradas do Triângulo Mineiro. O fato de a peça ser grande torna a travessia lenta, condicionando o trânsito por onde passa.
O trajeto parece pouco lógico; não é o menor percurso entre dois pontos, mas, sim, o possível, dadas as dimensões, peso, formato e mais condicionantes impostas pelo gigantesco equipamento.
Poucas notícias vinham com mapa; as que chegavam eram mais descritivas. “Saída tal, trevo x, altura do quilômetro y”. Os despistados, os sem noção de direção, ou há muitos anos fora, que se virassem para decifrar o código. Preciso saber onde está a ilustríssima!
O caso é que, chegando de Portugal num voo por Uberlândia, minha viagem até Uberaba por terra parecia coincidir com a presença inusual. Foram dias monitorando os trabalhos. Onde está? E vai para onde? Parou? Recomeçou o trajeto?
Por fim, o momento da chegada foi anticlimático. A megacarga já passou; está longe. O que não cessou foi o interesse por ela. Locais descrevem exatamente onde esteve e quando. “Parou bem aqui, esteve aí um tempo. O povo vinha fazer fotos.”
Minha expectativa de construir a logística ao redor dela, evitando-a ou convivendo com o incômodo da sua lentidão, no fim, foi um grande nada. Viagem rápida e sem eventos até chegar a esta terra. Sentimentos mistos de alívio e decepção. Também queria ver a famosa peça.
Mas cá estamos, chegando a tempo de ver a entrada do verão e aproveitar a época natalina com a família. Aproveitando para desfrutar da hospitalidade local, o insubstituível jeito mineiro.
E, sem razão alguma, continuar acompanhando a já quase familiar engenhoca, em sua impávida jornada pelo Brasil profundo. É bonito demais todo o trabalho ao seu redor. É muito engenho, esforço e conhecimento, desde a sua concepção até que seja instalada, cumprindo sua função.
Feliz viagem, célebre viajante, a você e a todos os que a acompanham, e os votos de uma longa e frutífera vida útil, onde estiver. E um muito feliz e santo Natal a todos!