ARTICULISTAS

Cada enxadada, um minhocal

Ana Maria Leal Salvador Vilanova
Publicado em 10/02/2025 às 18:35
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Passou um pouco a onda, mas ainda têm seu público aqueles programas em que se organizam casas. Uma das profissionais mais famosas desse ramo tinha certa maneira radical de lidar com roupas. Em vez de mover peças de um lado para o outro, ela mandava o cliente tirar absolutamente tudo de dentro do guarda-roupas e jogar em cima da cama. Depois, sim, passava-se ao processo de triagem, o que obrigava à avaliação de cada peça. Só voltava ao roupeiro o traje que, de fato, ali tivesse lugar.

Abordagem semelhante foi adotada no início do mandato ora em vigor nos Estados Unidos. O presidente Trump, desde sempre, manifestou desejo de “drenar o pântano”, ou vencer a massiva estrutura burocrática que administra o dinheiro do pagador de impostos americano. Enquanto no primeiro mandato ele tentou a forma habitual, cortar gastos aqui e ali, desta vez, foi radical.

Primeiro ele assinou uma lei (Executive Order) suspendendo todos os pagamentos do governo. Depois começou a autorizar gastos específicos para aqueles programas realmente imprescindíveis. Ato seguinte, viu quem mais esperneou ou, simplesmente, tentou ignorá-lo. E foi assim que ficou claro qual deveria ser o alvo prioritário da sua primeira auditoria, a USAID (United States Agency for International Development).

No nome, a agência está aí para promover interesses americanos ao redor do mundo, através da ajuda e apoio a grupos específicos. Na prática, a lista de absurdos é de cair o queixo. São milhares, às vezes milhões, muitos milhões para projetos sem pé nem cabeça.

Diz-se que, a partir de um certo ponto, a incompetência é indistinguível da corrupção. O fato é que, enquanto o público americano acompanha estarrecido a demonstração da farra com seu suado dinheirinho, políticos e grupos de interesse se manifestam à porta da agência e tentam convencer o povo de que é importantíssimo financiar os tais projetos que ninguém entende.

Essas manifestações apenas deixam claro quem são os recipientes últimos dos tais recursos. Até agora não conseguiram apresentar uma pessoa sequer que tenha sido beneficiada pelos programas em questão, o que, considerando sua magnitude, deveria ser facílimo. Então, para onde foi aquilo tudo? E ainda nem foram tantas enxadadas assim; os trabalhos estão apenas começando, e os “donos” do minhocal estão completamente histéricos.

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