ARTICULISTAS

Christina no Espaço Profundo

Ana Maria Leal Salvador Vilanova
AnaMariaLSVilanova@gmail.com
Publicado em 31/03/2026 às 18:13
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Se tudo correr bem, a partir deste primeiro de abril, a humanidade poderá assistir, depois de 50 anos, ao retorno de humanos ao espaço profundo. A Missão Artemis II, com uma colaboração de mais de 40 países, vai levar os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen a uma volta pela Lua, sem aterrissar, voltando à Terra dez dias mais tarde.

Os três americanos e um canadense têm tarefas a cumprir, incluindo testes que, mais tarde, darão viabilidade a pousos na Lua, instalação de bases permanentes ali, além de viagens a Marte. Mais um capítulo emocionante da corrida espacial. Se antes os Estados Unidos se digladiavam com a Rússia, agora uma coalizão internacional mede forças com a China.

Pode ser que, daqui a dois anos, possamos ver, novamente, nossa espécie caminhando no satélite natural e, com o tempo, isso seja fato corriqueiro. A Lua tem recursos naturais que podem definir a supremacia tecnológica, militar e econômica no espaço no século XXI. Quem domina o espaço influencia tecnologias terrestres, como o sistema de GPS, satélites, comunicações e, com tudo isso, tem mais elementos de dissuasão militar.

Enquanto, por aqui, seguem conflitos entre países, com as graves complicações para o mundo todo, outra frente persegue a via da conquista ao próximo continente, no caso, fora do planeta. Guerras, sempre as houve e, infelizmente, as indicações são de que interesses conflitantes vão continuar a existir. No fim, depois de muito sofrimento, de um jeito ou de outro, terminam; esperemos que mais cedo que tarde.

Porém, enquanto uns destroem, outros desbravam. A missão Artemis II é o primeiro passo concreto para uma presença humana permanente fora da órbita baixa da Terra. Já houve várias mulheres astronautas e até voos 100% femininos, mas Christina será a primeira mulher no espaço profundo. Mais uma fronteira cruzada.

Quando se inventou a roda, quando se descobriu a América, quando se cruzou o Cabo da Boa Esperança, havia guerras a decorrer, mas o que ficou para a posteridade como marco do progresso humano foram essas conquistas. Hoje está complicado e, pelo jeito, ainda vai piorar bastante antes de melhorar, mas nada a temer. Somos complicados, mas seguiremos adiante.

 Ana Maria Leal Salvador Vilanova

Engenheira civil, cinéfila, ailurófila e adepta da caminhada nórdica

AnaMariaLSVilanova@gmail.com

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