O ano começou fervendo, com notícias espetaculosas de todos os lados. A mais popular, sem dúvida, a prisão de um chefe de cartel internacional (e subsequente transferência para uma prisão americana, com algemas e tudo). Ainda há muita incerteza, porém as possibilidades são gigantes. Uma janela mínima de liberdade se abre para todo um povo, cativo há décadas. Por outro lado, comparsas do alegado criminoso se reorganizam mundo afora.
Multiplicam-se as análises, superlotando canais de comunicação. Umas poucas são boas; a maioria é histérica, fica-se na dúvida se o comentarista está analisando a situação real ou ventilando suas frustrações ao terapeuta.
No meio de tanto ruído, passa quase despercebida uma pequena novidade. Scott Adams, escritor e cartunista, criador do personagem Dilbert e leitor incomumente preciso da realidade, está considerando se converter, vai se tornar cristão. É quase um choque, já que ele sempre foi muito aberto quanto à sua condição de não crente.
A notícia veio num de seus “Cafés com Scott Adams”, em que contou tudo, de forma muito racional. Chegando aos estágios finais de sua batalha contra um câncer de próstata metastizado, ele considera que só tem a ganhar convertendo-se. Seja como for, diz que nunca é tarde.
Tendo feito a declaração bombástica, em seguida, recolheu-se. A partir daqui, disse ele, “o que acontecer é algo entre mim e Jesus”. Cada qual tem seu caminho, não seria diferente com ele, só podemos rezar pelo melhor.
No grande esquema das coisas, os próximos tempos serão movimentados, com forças se reorganizando, focos de poder trocando de mão. Tudo indica que o mundo está à beira de mudanças estruturais, daquelas que serão relatadas à minúcia para futuras e incrédulas gerações.
Uma conversão, ainda que de alguém com alguma relevância, é um evento pequeno, em si, porém é daquele tipo que tende a provocar reflexões profundas. Sendo sinceras, essas transformações de mentalidade são contagiosas e vão impactando a cultura de forma irresistível. Este processo não requer um ou dois anos, mas, sim, muitas décadas, e além. Quem sabe como estes tempos serão recordados? Quem estiver com a verdade chega mais longe.