Era o terceiro encontro do jovem casal, ambos perto dos vinte anos e, como muitas vezes acontece, meio desajeitados. Decidiram fazer algo diferente, aproveitando a ocasião da passagem de ano, e partiram em aventura, uma caminhada, quase escalada.
Aparentemente, tudo o que poderia vir à superfície veio e, desde o princípio, a falta de sincronia foi evidente. Começaram os pequenos desentendimentos, microprovocações de parte a parte, aquelas pequenas espetadas que, numa situação normal, seriam resolvidas com um “olha, preciso ir, tenho um compromisso” e abandono da área.
Mas, como eles estavam no meio da natureza, sem área de escape, tiveram que seguir o programa. Os desencontros existenciais conduziram à separação física e armou-se a quase tragédia. A moça chegou incólume ao próximo ponto de encontro, porém o rapaz se perdeu na mata e assim ficou por cinco dias, até chegar, muito maltratado, a uma fazenda local e pedir ajuda.
Agora são conhecidos os detalhes da história toda, com o rapaz dando longas entrevistas a podcasts famosos, contando tudo em pormenor. Desde a preparação, o contexto que levou à situação extrema, seguindo pelo relato dos dias perdidos, as decisões impossíveis, a natureza implacável e a fé renascida. A moça, depois de falar com um veículo importante, tem estado mais discreta, contudo é situação que pode mudar a qualquer momento.
Tem-se focado muito no aspecto de sobrevivência e é ótimo. São coisas que, habitualmente, lembra-se quando é tarde, assim, convém aprender com a má experiência alheia. E tem-se falado sobre a importância da companhia escolhida em aventuras desse tipo.
Esse encontro foi uma espécie de curso intensivo para prospecção de companheiro de vida. Amor jovem é lindo, apaixonado, sentimental, fantasioso e irreal. É como muitos relacionamentos começam, mas, se tudo correr bem, evolui-se para algo mais maduro. Porém, custa, e muito.
No fim, o desespero na mata é o divórcio evitado amanhã. Ambos os jovens descobriam muito sobre si mesmos. Podem gostar ou não, mas é o que está sobre a mesa. Seguem suas jornadas, de momento, separadas, têm muito que refletir em recolhimento, mas nós agradecemos todo o aprendizado.