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Festa estranha

An Maria Leal Salvador Vilanova
Publicado em 10/02/2026 às 18:07
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Mas que gente esquisita. Começou com a Alice, o Benjamin, depois a Cláudia, o Davide e mais uns quantos. A coisa estava razoavelmente controlada, até que chegou a Ingrid, e foi o caos. Em sucessão, vieram o Joseph, a cruel Kristin e o Leonardo para acabar de complicar tudo.

Assim se chamam as depressões, fenômenos atmosféricos que têm castigado a Península Ibérica nesta temporada. O inverno já andava anormalmente frio, pelo menos era a sensação, quando essa fila particularmente animada entrou continente adentro.

São depressões, entretanto parecem casos de bipolaridade. Os dias começam com chuva, o vento é inacreditável. Depois o sol aparece, vê-se o céu azul, tudo calmo, apenas para, meia hora mais tarde, recomeçar, uma vez mais.

Vento não é novidade em Portugal. Quem visita o Guincho, ali em Cascais, pode constatar as montanhas de areia que invadem a estrada em certos dias. É fácil ver como os navegadores de outros tempos viram o potencial eólico e se lançaram ao mar.

Mas a magnitude tem sido brutal. As notícias não são exageradas; o país está sofrendo. Mobilizações e pedidos de ajuda por todos os lados são comuns. Há cidades sem energia há dias, muita gente sem teto, sem casa, sem ganha-pão, tudo soterrado, alagado ou inutilizado.

Mais trágicas, ainda, são as mortes, por várias razões associadas ao clima. Desde aquelas ocorridas no momento, pela água, vento, terra, até os casos de acidentes nos reparos (trabalho em altura, sempre risco de fatalidade) e mesmo socorristas atingidos.

Os serviços de proteção civil são excelentes, porém a natureza tem sido tão errática que é difícil alcançar tudo. Mesmo a previsão é difícil. Houve muita discussão sobre adiar, ou não, a eleição presidencial, num domingo bem encaixado no meio da sequência catastrófica.

Por fim, decidiu-se ir adiante, e foi tudo bem. No percurso para o local de votação, veem-se os sinais da preparação para o embate, sacos de areia empilhados à porta de casas e estabelecimentos, apenas para ver o dia nascer com céu de brigadeiro. Mais tarde, choveu, mas a Marta não foi nada, se comparada à Kristin. E vamos votar, que não basta a natureza enviar complicações para a vida; temos que garantir mais aborrecimentos por nossa própria iniciativa.

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