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Minnie, the Cat

Ana Maria Leal Salvador Vilanova
Publicado em 02/02/2026 às 18:15
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Ela não era grande e tinha um ar assustado. Sozinha numa pequena jaula, não despertava atenção. Foi numa feira promovida por um abrigo de animais, e todo mundo buscava filhotes fofinhos e brincalhões. A gata jovem adulta, preta e magrinha não despertava lá muito interesse. Era bem cuidada, mas a competição com muitos outros gatos cobrou seu preço; vivia esfomeada.

Foi ao lado da jaula dessa pequena heroína que meu filho parou e decretou: “é essa”. Não houve competição para adotar Minnie, a elegante panterinha. Mero trâmite burocrático e a levamos na paz.

Chegando à nossa casa, as adaptações necessárias. Na penumbra ou na escuridão, ela ficava invisível! Muito cuidado para não sair tropeçando na pobre. E, imediatamente, ganhou o apelido, “Minnie Houdini”, já que era mestra em aparecer e desaparecer inesperadamente, tal a agilidade.

Não demorou nada e já era dona de tudo. Como todos os gatos, inspecionou cada centímetro da casa e foi moldando os humanos ao redor. Companhia de todas as horas, disponibilizava o ronronar tranquilizante com generosidade.

Sempre foi saudável, até que não foi mais. Um período sem apetite, coisa completamente atípica e, na visita ao veterinário, veio o diagnóstico. Um linfoma. Não tinha cura, mas tinha tratamento, remédios e cuidados.

Assim ficou um ano e meio, ainda cheia de vitalidade e boa de garfo. Ficou um pouco exigente com a comida, ia enjoando de tempos em tempos, mas sempre havia outra para experimentar.

O fim foi relativamente rápido. Parou de comer e, dessa vez, não houve estratégia que resolvesse. Mais uma vez ao hospital, internação imediata. Muito quietinha, estava com dores, sentia-se mal. Mais exames e remédios, mas tudo já apontava para um desfecho, que, dois dias depois, veio.

Ficou um pequeno molde da sua patinha em gesso e uma impressão eterna de que ela está em qualquer lugar escurinho da casa, apenas não a estamos vendo.

Assim se foi Minnie, a gatinha com nome de camundongo, provedora de carinhos sem fim, engraçada, comilona, ronronante, corajosa, curiosa e, agora, infinita em nossa memória.

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