O ano 2025 já começou cheio de emoções. Eventos cruciais já vão se alinhando em ritmo alucinante e, no meio de tantos acontecimentos importantes, elementos cruciais podem passar quase despercebidos. O mundo assiste, horrorizado, aos incêndios que destroem os bairros mais chiques de Los Angeles enquanto movimentos no tabuleiro político mundial se sobrepõem.
Em meio a tudo isso, não param os comentários sobre a mudança de diretrizes da empresa Meta, conglomerado que gere o Facebook, o Instagram e o Whatsapp. O responsável veio a público com uma declaração longa e detalhada, seguida por uma entrevista mais longa ainda, em que teve a oportunidade de dar informações específicas sobre os motivos da mudança de curso.
Basicamente, a informação partilhada nessas plataformas passará a ser avaliada quanto à sua veracidade pelo próprio público, e não mais por verificadores profissionais. Mark Zuckerberg reconhece que os tais “checadores” tornaram-se demasiado parciais e, em vez de aferirem a legitimidade de uma postagem, catalogavam-na quanto ao alinhamento político.
Foi o que bastou para começar a gritaria. Aqueles que vinham se beneficiando do sistema abriram um berreiro estrondoso e, para surpresa de ninguém, divulgaram informação falsa para defender seu ponto de vista. Dizem que as redes se tornarão terra de ninguém, que vai ser um “liberou geral”, e crimes não serão punidos, no que foram devidamente corrigidos pelo povo, numa demonstração de que o sistema democrático pode, sim, funcionar bem. Fica a questão do motivo de tanta resistência.
São poucas tiranias aquelas que assim se assumem. O normal é o tirano se revestir de desculpas e mais desculpas para as próprias ações, tentando dar-lhes um verniz de honestidade. Tirano, eu? Nunca! Eu estou é defendendo o povo da tirania dos outros. Sou o bastião da democracia, da honestidade e das virtudes em geral. Confiem em mim.
Claro que, para que a fachada funcione, é necessário manter algumas barreiras estratégicas, para que o povo, aquele mesmo que deveria estar felicíssimo, tenha bem clara qual é a opinião permitida, senão cai o castelo todo. Tirania? Sim, claro, mas o verniz, aquela capa bem fininha que dá um brilho a tudo, está ali para garantir o teatro. Chegou a hora do solvente.