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Suspeitas

Ana Maria Leal Salvador Vilanova
AnaMariaLSVilanova@gmail.com
Publicado em 13/12/2025 às 10:39
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Durante décadas, o aparelho que nos ajudava a acordar de manhã era o rádio-relógio. Programavam-se a hora e a estação de rádio preferida para nos despertar no início do dia. Também era possível escolher um alarme, mas essa opção só era recomendada para quem estava hibernando e para quem tinha o coração saudável. Era para morrer de susto.

Em caso de se esquecer de desprogramar o dispositivo, o pobre tocava até ficar rouco. E já havia o botão dos dorminhocos, que permitia não desligar o alarme, mas apenas atrasá-lo alguns minutos.

Pois num dia em que o dono da casa deixou o alarme programado, veio a faxineira. Estava a diligente senhora fazendo seu trabalho quando o aparelho começou a berrar. Ela conseguiu desligá-lo, ou assim pensava. Porém, alguns minutos mais tarde, lá estava ele, de novo. Outra vez no botão, silêncio.

Ela já estava desconfiada do pequeno aparato das trevas e, de fato, ele soou mais uma vez. Agora, além de apertar o botão, ela puxou o fio da tomada, efetivamente cortando sua fonte de energia, assim acreditava. Apenas para, alguns minutos depois, ouvir, novamente, o barulho dos infernos.

Mais tarde, ela contaria tudo ao patrão, apavorada. Claro que ele explicou que o aparelho dispunha de uma pequena bateria, e não havia nada sobrenatural acontecendo. Nesse dia, uma boa faxineira e um bom patrão quase dissolveram a parceria.

Já em 2025, parece que são as geladeiras as suspeitas da vez. Alguns modelos mais modernos, as geladeiras “smart”, têm telas nas quais, além do painel de controle, também aparece alguma publicidade. E foi assim que uma certa mulher chamada Carol, ao ver a frase “Lamentamos tê-la chateado, Carol”, na porta do seu eletrodoméstico, foi parar no hospital. Era apenas publicidade da série “Pluribus” (AppleTV), mas, para alguém que já tinha histórico de problemas mentais, foi suficiente para uma ida ao hospital, acreditando que a geladeira estava tentando entrar em contato com ela. O infortúnio foi ela ser homônima da personagem fictícia.

A virada final nesse roteiro veio de comentários do público à notícia – de que tudo não passou de ficção (o episódio psicótico da mulher) sobre um evento real (a publicidade). De qualquer forma, convém manter algum nível de atenção com as geladeiras, que, pelo fácil acesso ao interior das nossas casas, são sérias candidatas a líderes da revolta das máquinas. Olho nelas.

 Ana Maria Leal Salvador Vilanova

Engenheira civil, cinéfila, ailurófila e adepta da caminhada nórdica

AnaMariaLSVilanova@gmail.com

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