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Temos Oscar

Ana Maria Leal Salvador Vilanova
Publicado em 04/03/2025 às 17:04
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E um filme rodado no Brasil ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Foi em 1960, quando o filme “Orfeu do Carnaval” (França - 1959) levou o prêmio. O produtor Sacha Gordine subiu ao palco e fez um brevíssimo e elegante discurso de agradecimento, em francês.

Sem a comodidade das legendas ou tradução simultânea, o apresentador daquele ano, Bob Hope, imediatamente ofereceu sua versão “esclarecendo” o conteúdo da rápida fala como: “Obrigado. Só queria dizer que eu fiz tudo sozinho mesmo”, para gargalhada geral do público.

O filme reconta o mito de Orfeu e Eurídice, porém ambientado no carnaval do Rio de Janeiro, falado em português e com muita música. Mas, sendo uma produção francesa, para lá foi o prêmio. Ficou uma sensação de “ganhamos, mas parece que não” ou “não ganhamos, mas parece que sim”.

Não mais. Em 2025, o Brasil ganhou e levou. O filme “Ainda Estou Aqui”, legítima produção nacional, foi premiado na mesma categoria, e o diretor Walter Salles subiu ao palco para agradecer.

Seis décadas e meia separam as duas premiações e é possível ver o quanto o Oscar mudou. Em 1960, o grande vencedor da noite foi o filme “Ben-Hur”, que foi nomeado em 12 categorias e ganhou em 11, incluindo Melhor Filme, Direção, Fotografia, Ator e Música. Foi um sucesso então, é um clássico ainda hoje e qualquer família pode se reunir para vê-lo, sem sustos.

Já este ano, “Anora” ganhou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção e, surpresa, Melhor Atriz para Mikey Madison, que garfou a categoria, tirando a pequena estátua da brasileira Fernanda Torres.

O objeto desse filme vencedor é suficiente para afastar grande parte do público, e a forma como o representa, ainda mais. Cenas explícitas e tema adulto fazem com que seja uma escolha restrita. Uma garota de profissão duvidosa e o filho de um oligarca nebuloso se casam; a família dele não gosta e o conflito está armado.

De se perguntar se daqui a sessenta e cinco anos ainda será ativamente buscado e desfrutado como entretenimento de qualidade. Ou mesmo se alguém ainda vai dele sequer se lembrar. Será que foi, mesmo, o melhor filme do ano, ou apenas um sinal de tempos que passaram, mas se recusam a partir?

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