A paz, tão desejada, parece ter se tornado um alvo raro, quase inalcançável. Enquanto muitas amigas fazem questão de acompanhar cada acontecimento e cada narrativa que anunciam um mundo prestes a explodir como um barril de pólvora, outras buscam refúgio nos filmes históricos ou românticos, tentando encontrar serenidade em meio a tantas injustiças. Eu, por minha vez, às vezes escolho a doce ignorância; não para fugir da realidade, mas para proteger a minha própria paz, aquela que não permito que me roubem. E então me pergunto: quanto vale a nossa paz?
Costumamos acreditar que paz é apenas a ausência de guerras, mas ela também se desfaz na falta de justiça em nosso país, na escassez de solidariedade, no desrespeito aos direitos humanos.
E a paz dentro de nossas próprias casas… como anda? Vai bem, obrigada?
Filhos, netos e até nós próprias tantas vezes nos agarramos a uma paz apenas aparente, inventada para suportar o peso dos dias. Na vitrine da vida, exibimos um semblante tranquilo, como se quiséssemos anestesiar aquilo que, no fundo, buscamos desesperadamente: uma vida verdadeiramente serena.
Porém, por dentro, somos frágeis, tão frágeis quanto o vidro. Qualquer pequena crise pode nos quebrar: uma doença inesperada, uma perda irreparável, uma instabilidade financeira, um familiar pedindo socorro, um medo que chega sem aviso. Para amparar esse coração delicado, agarramo-nos às lembranças e às frases que nos sustentam, como aquela que tantas vezes repetimos: “a vida te ensina a ser forte”. Como a paz não está à venda, precisamos fortalecê-la dentro de nós.
Porém, diante de um deslize, uma decepção ou uma perda, chegamos ao estresse, ansiedade ou depressão, quando finalmente percebemos que a paz nunca esteve fora: ela sempre morou dentro de nós, no silêncio, na pausa, no encontro com o próprio espírito.
Eu e Ani herdamos uma herança invisível, mas profundamente poderosa. Uma herança que não se mede, não se vende, não se perde. Uma fonte inesgotável de paz uma com a outra, essa energia silenciosa, sem medos, sem pressa, sem angústia, capaz de atravessar tempos, iluminando caminhos muito além de nós. Como afirmou um dos líderes da paz, Mahatma Gandhi: “Não existe um caminho para a paz: a paz é o caminho”.
É preciso nutrir o interior com aquilo que nos acalma e alivia o peso dos dias, marcados por destruições e injustiças: fazer o bem, acolher um sem-teto, participar da vida da Igreja, perder-se numa boa leitura, celebrar em uma festa simples ou luxuosa, renovar-se na esperança, na fé e na oração.
É nesse movimento, às vezes pequeno, às vezes profundo, que reencontramos a paz. Porque quem tem paz… tem tudo.
Dois beijos...
Anina
gemeasanina@hotmail.com
Academia de Letras do Triângulo Mineiro – Cadeira nº 4