ARTICULISTAS

Anel da eternidade

Anina
gemeasanina@hotmail.com
Publicado em 27/05/2026 às 18:15
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Hoje, sentada na minha poltrona favorita da sala, deparei-me com minha estante, herança de meu pai. Acho que todos temos dentro de casa o nosso tesouro. Pode ser uma caixinha trazida de uma viagem, um baú que amamos, uma imagem de santa ou qualquer objeto que desejamos manter perto de nós eternamente. São coisas que, aos poucos, passam a fazer parte da nossa própria história.

Lembro-me perfeitamente de mamãe guardando, em uma linda caixinha de madrepérola, as cartas da época em que namorava papai. Era uma verdadeira relíquia, algo que a acompanhou por toda a vida.

Certos objetos inanimados guardam a alma do lar e carregam nossas histórias por onde formos. Algumas pessoas valorizam troféus de conquistas esportivas; outras guardam com carinho o vestido de noiva ou algum objeto de valor.

Mas os tesouros mais preciosos, muitas vezes, estão nas coisas mais simples: na caneca que o pai usava e que passou a ser nossa depois de sua partida, na correntinha da avó, em um velho canivete ou em qualquer pequeno objeto capaz de nos aproximar de quem amamos, mesmo quando essas pessoas já não estão mais aqui.

Aquilo que pode parecer lixo para alguém pode ser um verdadeiro tesouro para outra pessoa.

Essas recordações, quando tocadas, parecem nos preencher novamente com todo o amor vivido ao lado de amigos e familiares. Não se trata de colecionar objetos ou guardar “trastes” sem sentido, mas aquelas memórias que nos marcam, carregadas de afeto e significado.

Essas relíquias funcionam como portos seguros, âncoras emocionais que nos fazem lembrar de casa, dos encontros em família, das histórias compartilhadas e dos momentos felizes que permanecem vivos dentro de nós.

E assim volto à minha estante que tantas vezes mudou junto comigo, mas continua abrigando aquilo que considero precioso. Talvez porque os livros também sejam assim: guardiões de memórias, sentimentos e pedaços da nossa existência. O meu apego é pela estante, que funciona para mim como um amigo seguro e acolhedor.

Afinal, acho que todos nós temos coisas únicas capazes de tocar profundamente o coração. Qual o seu anel da eternidade, que você guarda, olha ou segura e o preenche como um símbolo infinito?

 Dois beijos

 Anina

gemeasanina@hotmail.com

Academia de Letras do Triângulo Mineiro – Cadeira nº 4

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