Lembro-me perfeitamente. Era época de eleição e eu estava completamente envolvida com a política. Trabalhava para um partido, acreditando sinceramente que poderia ajudar a mudar o Brasil.
Fui ao comitê, peguei panfletos e enchi meu carro com fotos da candidata à Presidência da República. No dia da eleição, voltei ao comitê e falei: “Vou fazer meu serviço voluntário, minha representante tem que ganhar”. Com as mãos cheias de santinhos, enchi o tanque de gasolina, pois iria levar eleitores para votar. E lá fui eu, debaixo de um calor daqueles, levando pessoas e, no caminho, tentando convencê-las a votar na minha candidata.
Eu acreditava. E acreditava muito.
Até meus pais participaram, sem querer, de uma das cenas que nunca esqueci. Fui buscá-los para votar. Meu pai olhou os panfletos espalhados pelo carro e disse: “Eu não vou entrar. Essa não é a minha candidata.”
E não entraram.
Fiquei triste. Naquele momento, eu tinha certeza de que aquela pessoa poderia fazer a diferença e ajudar a transformar o país. Talvez eu tenha até conseguido mudar o voto de algumas pessoas que transportei naquele dia. Minha convicção era enorme.
Mas a vida, às vezes, nos dá boas aulas de realidade.
Depois de suas duas eleições, a ficha caiu. E foi com faixas, protestos, ruas cheias e amigas que saímos às ruas pedindo o impeachment daquela em quem um dia acreditei. Eu estava nas ruas protestando contra a mesma pessoa que um dia imaginei ser a “salvadora do Brasil”.
Foi assim que aprendi uma das mais importantes lições da política: não devemos colocar ninguém no lugar de salvador da pátria.
Somos humanos: acreditamos, nos empolgamos, defendemos nossas escolhas e, algumas vezes, percebemos que estávamos enganados.
Hoje, quando me lembro daquela mulher cheia de panfletos, gasolina e certezas dentro do carro, dou até um sorriso. Aquela mulher era eu.
E talvez a política tenha me ensinado que mais importante do que acreditar cegamente em alguém é nunca deixar de pensar por nós mesmos. Antes de rejeitar ou aceitar o político, pergunte a você quem ensinou a enxergá-lo como amigo ou inimigo. Antes de compartilhar e sair lutando pelo seu candidato ou candidata, procure saber a sua doutrina ideológica e filosófica, como também a sua trajetória de vida.
Não vamos nos deixar doutrinar. Politicamente, são gêmeos univitelinos e têm o mesmo DNA. Não vamos nos jogar às cegas por aquele que acreditamos, nos empolgamos e até brigamos, pois poderemos estar errados. Vamos redobrar nossa atenção e optar pela democracia.
Desconfie das verdades prontas e pergunte: “Quem colocou em você a necessidade de acreditar naquele ou naquela candidata?”
Não faça como eu no dia em que votei com o coração (e errei).
Dois beijos...