ARTICULISTAS

Desligue a tomada

Ani e Iná
Publicado em 06/06/2026 às 12:13
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Você já esteve em algum lugar e desfrutou daquele momento presente sem sentir falta de nada? Aquele instante em que você se entrega, sem aperto, sem ansiedade, com uma sensação de plenitude, como se toda a vida coubesse no agora?!

São oportunidades que podemos colocar em nossas vidas. Selecionar um dia da semana e pensar: “Só por hoje não vou resolver nenhum problema. Vou apenas viver”. Já que nosso cérebro, sempre tão ativo, não possui um interruptor para ligar e desligar, resta-nos buscar alternativas. Precisamos aprender o exercício da vigília, libertar-nos do excesso de pensamentos e esvaziar a mente. 

Cada pessoa encontrará seu próprio caminho para alcançar essa plenitude. Nos dias de hoje, eu escolheria visitar um museu ou uma feira de artes para me libertar da exaustão mental. Alguns levam os filhos ao parque e, entre risadas e brincadeiras, aliviam o peso dos pensamentos. Tenho um primo que reserva o início do amanhecer ou do entardecer para parar, contemplar, silenciar a mente e agradecer a Deus pelas coisas boas e até pelas dificuldades. São minutos que o conectam consigo mesmo.           

Muitas pessoas encontram dificuldade nessa pausa. Temos um tio solteirão que se sente feliz ao dedicar um dia para não gastar absolutamente nada. Fica quieto em casa, não abre a porta nem atende ao telefone. Esse é o dia em que ele esvazia a cabeça. 

Esse redemoinho solto dentro da mente adoece. É preciso repensar a forma como estamos vivendo. Com tantos estímulos e tanta pressa, as horas passam e, quando percebemos, o estresse já entrou pela porta.               

Lembro-me da mamãe fazendo telas bordadas e das tias trabalhando em seus bordados no “bastidor” de ponto-cruz. O vaivém das agulhas e as cores ganhando forma lentamente cediam espaço ao afeto e a reflexões vagarosas e profundas. Era uma época em que pouco se falava sobre saúde mental. 

A espiritualidade e a fé não apenas desanuviam a mente, mas também desenvolvem em nós o sentimento de satisfação por estar inteiramente presente em cada momento que a vida oferece. Como esses ensejos são valiosos para a alma!

Algumas pessoas recorrem a uma folha em branco para registrar pensamentos, versos e lembranças dos bons momentos de cada dia. Outras simplesmente observam o amanhecer. Esse “único dia vazio” pode ser a nossa salvação.

Tomar um café com amigas, apreciar os pequenos prazeres do cotidiano ou ir a um boteco tomar uma gelada e jogar conversa fora, sem checar mensagens ou redes sociais, também são formas de reencontro com nós mesmos.  Esse dia “sem horários”, com direito ao tédio, é o dia do desapego e da paz. É a licença necessária para não fazermos nada, para nos libertarmos das cargas invisíveis. É o momento de desligar e viver a vida. 

Dois beijos...

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