ARTICULISTAS

Digna raiva

Ani e Iná
Publicado em 15/04/2026 às 09:12
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Pensando bem, todos nós já experimentamos a raiva, essa força intensa que, quando bem direcionada, pode se transformar em energia de mudança. É uma emoção imperativa que nos impulsiona a agir, um veículo que nos leva a tomar atitudes.

Movidas pela indignação, juntamente com outras educadoras, saímos várias vezes em greve, fomos às ruas diante da omissão e das injustiças do governo com nosso salário de professoras. Não era só salário: lutávamos também para equiparar o reajuste dos educadores aposentados, que era defasado, e conseguimos. A decepção que tínhamos com os “corruptos do poder”, na época, amenizou quando alcançamos nosso intento.

Lembranças de momentos de raiva vêm à nossa mente e ficam guardadas, prontas para emergirem quando um sinal vermelho aciona o gatilho. Estávamos em um curso mensal de Moral e Cívica, promovido pelo estado. A professora falava sobre um determinado assunto de política quando, de repente, um dos participantes se levantou e, talvez por ser homem, adotou uma postura autoritária, usando a fúria para provocar medo e impor respeito, em oposição ao que a professora dizia: uma atitude desrespeitosa com a mestra.                                                                                                            

A interpretação pessoal a respeito do que o outro fala não deve ser motivo para fúria ou cólera, mas para diálogo. Jamais podemos transformar a oposição de interesses em ataques violentos, que erguem muros em vez de construir pontes. Muitas vezes, a raiva segue caminhos sombrios. Quando sequestra a razão e nos faz agir sem pensar, encharcados de ódio e vingança, tornamo-nos marionetes do cortisol, da adrenalina e de outros hormônios.

Sentimos esse mal-estar em situações corriqueiras: quando alguém toma a vaga que sinalizamos, quando uma buzina soa atrás de nós, quando um motor nos assusta, quando descobrimos que fomos enganados, que mexeram em nossas coisas ou diante da morte de um ente querido. É a raiva atravessando o dia. Ainda assim, muitas de nós conseguimos controlá-la por meio da inteligência emocional.

Esse sentimento se torna perigoso quando surge o desejo de ajustar contas. Algumas amigas já disseram: “Não quero ter uma arma na mão, porque há momentos em que posso matar”. Não existe conversa difícil sem tensão, mas o rancor não pode dominá-la. Ele não deve nos impedir de sustentar nossos valores, mas sim nos impulsionar na direção deles.

Às vezes, pensamos que a raiva e até o desejo de ferir alguém são impulsos persistentes, quase macabros. E, de forma quase atemporal, Deus faz com que essas fantasias de vingança se transformem… quem sabe, em purpurina.

É comum que essa atitude na mulher seja interpretada como histeria ou loucura. No entanto, ela pode ser um momento transformador. Ninguém precisa aceitá-la como parte permanente da vida, nem agir como “maluca”. É importante falar sobre o que nos causa indignação e levar isso ao campo da linguagem. Dessa forma, o rancor se torna consciência e possibilidade de mudança. Não devemos cultivar a raiva crônica; ela precisa ser transformada em diálogo. Quando conseguimos isso, damos um passo rumo à libertação.

A raiva guardada pesa e machuca. Vamos nos libertar do que nos aprisiona, buscando uma vida com mais alegria, leveza e paz.

Dois beijos...

 Anina

gemeasanina@hotmail.com

Academia de Letras do Triângulo Mineiro – Cadeira nº 4

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