ARTICULISTAS

Ecos internos

Ani e Iná
gemeasanina@hotmail.com
Publicado em 01/06/2026 às 18:07
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Quando chegamos a determinada fase da vida e olhamos para trás, conversamos com nós mesmos e perguntamos honestamente: valeu a pena? Vivi uma vida boa e significativa? Qual é a minha verdade interior? Muitos afirmam que fariam tudo de novo. Eu, por certo, mudaria, mudaria muito. Há coisas que não faria outra vez. Quero buscar hoje aquilo que realmente me faz bem.

Cada pessoa conduz seu processo de felicidade por caminhos distintos. Alguns desejam passar os finais de semana em um rancho, buscando a companhia dos pássaros e das plantas. Outros acordam de madrugada para correr ou nadar. Há também os que preferem se entregar aos devaneios no sofá e, nesses momentos silenciosos, sentem-se em harmonia com a parte mais contemplativa da alma. O importante é encontrar aquilo que nos faz bem no presente e no que ainda “resta de futuro”. É o tempo que ameniza o desassossego e devolve, aos poucos, o gosto de viver.

É muito interessante quando começamos a olhar para as lembranças de nossas histórias. Algumas são maravilhosas, outras nem tanto. Superar tristezas talvez não exista por completo; os lutos deixam marcas e feridas que aprendemos a carregar ao longo da vida. Porém, estudiosos que destrincham o funcionamento do cérebro afirmam que a felicidade nasce de uma teia pulsante de conexões. Se é assim, precisamos atiçar nossas conexões e buscar aquilo que nos traz bem-estar.

Algumas amigas gostam de sair, investir em estética e em indumentárias de fazer inveja à rainha da Inglaterra. Gostam de festas, e é na bebedeira e na cantoria que encontram a leveza da alma. Já vivi essa fase; eu e minha irmã gêmea aproveitamos muito. Hoje, observando bem e conversando comigo mesma, aos poucos percebo como as máscaras sociais que usamos no cotidiano podem abafar a voz interna e nos afastar do nosso potencial.

Tenho amigas que preferem organizar encontros familiares, regar as flores do jardim, ler bons livros, encontrar as amigas em cursos de artesanato, enfim, cultivar hábitos saudáveis. Ser fiel à nossa essência e encontrar sentido no que vivemos são caminhos possíveis para a felicidade.

Todos nós deixamos sementes plantadas ao longo da vida que guardam uma promessa, na esperança da luz da felicidade. Esse gesto de semear nos leva a conhecer mais a nossa vida e a dos outros. Encontrar propósito em nossas atividades é uma forma de ver a alegria se espalhar. Ao longo da vida, vamos nos transformando em gente de verdade.

Dois beijos...

 Anina

gemeasanina@hotmail.com

Academia de Letras do Triângulo Mineiro – Cadeira nº 4

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