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Faísca na vida

Ani e Iná
Publicado em 04/05/2026 às 18:06
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Houve uma época em que, quando alguém falava em tristeza ou depressão, muitos diziam que era falta de ter o que fazer, mera frescura. Mandavam a mulher lavar uma trouxa de roupa que a angústia passava.

Hoje, a mentalidade é outra: todos se preocupam com a saúde mental. A depressão existe, é real e tem tratamento. Não podemos levar a vida em “fogo brando”, fingindo que está tudo bem, enquanto evitamos encontros, desmarcamos compromissos e, sem perceber, vamos entrando em uma zona neutra, onde já não conseguimos mais interagir. 

Muitas vezes, para evitar dissabores, passamos a fugir de assuntos que nos causam frustração ou desprazer. Queremos nos blindar de acontecimentos pesados ou tristes e, sem perceber, vamos nos afastando. E é justamente essa tentativa de defesa, essa forma de se alienar dos problemas, que pode nos levar a certa mornidão na vida. 

Acabamos nos acomodando na zona de conforto, presos à rotina, sem buscar o encantamento, anestesiados diante do mundo ao nosso redor. Ir a uma quermesse, ao cinema, a uma feira, ao teatro, viajar, tudo isso passa a parecer sem sentido, mesmo sendo atividades que antes traziam alegria. 

Levantamos, comemos, alguns vão ao trabalho, acreditando que essa repetição é o que dá certo, como se estivéssemos alienados. Não há alegria, mas também não há tristeza: um estado que pode incapacitar a vida e nos conduzir à depressão. 

A vida não pode ser sonsa, nem bege, nem cinza. Nosso interior precisa ter cor. Não adianta erguer escudos para se proteger; é preciso enfrentar e reacender o fogo da vida. Não devemos esperar que isso venha de fora. É dentro de nós que precisamos encontrar uma faísca, um impulso que nos desperte. 

Essa faísca pode acender na arte, no exercício físico, na corrida, na leitura, em experiências simples, naquilo que antes nos encantava e que hoje parece opaco. É justamente aí que precisamos insistir.

Quando a vida perde o brilho e tudo parece “sem gosto”, a psicologia chama isso, em alguns casos, de perda de sentido ou até anedonia, uma dificuldade de sentir prazer nas coisas que antes encantavam. E isso não é fraqueza; muitas vezes, é um sinal de desalinhamento entre o que se vive e o que se sente por dentro. 

Muita gente espera sentir vontade para agir… e ela não vem. O caminho costuma ser o contrário: agir primeiro, mesmo sem vontade, para que a vida volte a ter cor. O cérebro precisa de novidade e estímulo para sair do automático. 

Aceitar convites, sair, conversar, até mesmo discordar, se posicionar, sentir desejo, se informar, enfim, sentir a vida. Se esse “fogo baixo” persistir, procure um especialista.

O cérebro entende que precisa se movimentar. Vamos “reaprender a sentir”, não por escolha, mas por necessidade de não colapsar.

Dois beijos...

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