ARTICULISTAS

Glicose na vida

Ani e Iná
gemeasanina@hotmail.com
Publicado em 27/04/2026 às 17:57
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Ao longo da vida, muitos de nós sentimos a necessidade de participar de grupos, seja para fazer novos amigos, desfrutar daquela sensação gostosa de ter uma turma, atuar no voluntariado ajudando pessoas ou simplesmente compartilhar experiências.

Eu e Ani sempre tivemos esse impulso. Participamos de diversos encontros sobre educação, acumulamos diplomas, nos dedicamos a cursos longos, fizemos cursos de primeiros socorros, artesanato, logosofia, culinária e tantas outras atividades. Mais do que certificados, levamos conosco aprendizados e amizades que ampliaram nosso mundo.

Lembro-me, por exemplo, de quando participei de reuniões dos Alcoólicos Anônimos ao perceber que uma amiga precisava de ajuda. Ali, ouvindo histórias tão sinceras, compreendi melhor o alcoolismo como uma doença séria e tratável, e não como falta de força de vontade. Experiências assim nos tornam mais humanos, mais empáticos.

Ao longo do caminho, também tivemos aqueles grupos endemoniados, onde compartilhamos as “loucuras” do cotidiano. E, sem perceber, novas amizades vão se formando; algumas passageiras, outras que se tornam essenciais.                                   

Ter amigos ou até mesmo um único amigo verdadeiro é algo profundo, às vezes quase uma forma de salvação. Diante das perdas, do cansaço, das incertezas ou do silêncio da solidão, a amizade deixa de ser um luxo e se torna uma âncora. É ela que nos ajuda a lembrar quem somos quando nos esquecemos.                                                                                                              Podemos conhecer muitas pessoas, mas quase sempre são duas ou três que realmente nos escutam. Essas são um antídoto para a correria da vida. Nossa glicose na vida. Com elas, o silêncio acolhe e a conversa doce acalma.

Nós temos nos lembrado daquela amiga mais solitária? Aquela que não vemos há tempos? Já pensamos em convidá-la para um café sem pressa, para uma conversa despretensiosa? Ou aquela tia que ficaria tão feliz com um convite para o teatro? 

Sentar em uma lanchonete e falar sobre o dia, mesmo que seja sobre “nada”, faz um bem imenso à saúde emocional. Muitas vezes, não é o conteúdo da conversa que importa. Um encontro sem pauta, sem hora e sem objetivo, apenas para estar junto. O que realmente vale é o gesto: alguém que para, olha nos nossos olhos e compartilha alguns minutos de vida conosco.

Mais do que diagnósticos ou soluções, o que cura é sentir-se escutado de verdade, sem pressa, sem interrupções. Esse tipo de amizade, de alma, existe. A tecnologia nos aproxima de quem está longe, e isso é precioso. Ver e falar com familiares e amigos por vídeo nos conforta. Tenho uma filha no exterior, diariamente conversamos, mas essa conversa ainda não substitui o encontro presencial. Quando estamos frente a frente, o abraço, o olhar, o tom de voz, o sorriso, as pausas, os gestos, tudo isso compõe uma riqueza única. 

Por isso, talvez seja hora de resgatar esses momentos que tantas vezes adiamos. Não são as grandes mudanças que transformam a vida, mas sim os reencontros simples: cuidado, presença, doçura e afeto.

É aí que a vida acontece. No fundo, ela é feita dessas pequenas conversas e encontros que nos curam.

Dois beijos...

 Anina

gemeasanina@hotmail.com

Academia de Letras do Triângulo Mineiro – Cadeira nº 4

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