ARTICULISTAS

Heroínas invisíveis

Iná e Ani
Publicado em 28/01/2025 às 18:45
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Como cinéfila que sou, na primeira semana em cartaz, fui assistir ao filme Ainda estou aqui, que levou o ambicioso prêmio Globo de Ouro. A atriz Fernanda Torres deu um show de interpretação atuando como a personagem Eunice Paiva, advogada, ativista, esposa do político Rubens Paiva, durante a ditadura militar, nos anos 70. O ator Selton Mello não ficou atrás em sua interpretação. Enfim, o filme do milionário cineasta Walter Salles agora aguarda o tão sonhado capitalista prêmio, o OSCAR.                                     

Filmes com enredos reais, como o de Eunice Paiva, são janelas para refletir não apenas sobre a história, mas também sobre afetos e dores de nossa sociedade. Eunice, na verdade, é um símbolo, mas está longe de ser a única brasileira heroína digna de reconhecimento. Outros cineastas deveriam lembrar-se de heroínas invisíveis, resgatar essas vozes silenciosas. Uma narrativa histórica da contribuição feminina, especialmente das mulheres negras e pobres, é parte indissolúvel da construção de nossa identidade nacional.

Eu e Ani, através da sétima arte e da literatura, gostávamos de debater ideias, cenas e mensagens que os filmes trazem. Era no Cine Palace que assistíamos às duas sessões para observar detalhes que não percebíamos na primeira. Esse hábito de assistir por duas vezes era mais que entretenimento, era um portal para a compreensão mais profunda das histórias e da cultura. Lembranças inesquecíveis quando assistimos aos filmes O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte; Terra em Transe, de Glauber Rocha; aos do divertido Mazzaropi e a outros mais. Filmes históricos internacionais, como A Ponte do Rio Kwai; A lista de Schindler; Psicose; Os Miseráveis, com trilhas musicais encantadoras.

Aqui mesmo, em Uberaba, no livro premiado do acadêmico do Triângulo Mineiro Dr. Paulo Fernando Silveira, resgatou a história de Preta Ana. Sua vida como enfermeira, combatente na Guerra do Paraguai, é um exemplo inspirador de mulheres invisibilizadas que moldaram a nação. Muitas vezes ignoradas nos registros oficiais, reescritas nas telonas seriam obras-primas.

A heroína Hipólita Jacinta Teixeira de Melo merecia maior visibilidade. Sua participação na Inconfidência Mineira mostra uma mulher à frente do seu tempo. A única mulher a participar desse movimento de libertação, o qual poderia até ter sido evitado se não tivessem interceptado suas mensagens.                                      

Expandir filmes sobre histórias de Maria Quitéria, Anita Garibaldi, Chiquinha Gonzaga, Dandara dos Palmares, Tarsila do Amaral, Nísia Floresta, a intelectual educadora e escritora, defendendo a emancipação da mulher e a educação feminina no século XIX, muitas ocultas no silêncio. Mulheres como operárias de fábrica, as benzedeiras, matriarcas do sertão e tantas outras, que, mesmo sem títulos e sem voz, foram verdadeiras heroínas. Trazer essas histórias para as telas do cinema, livrando-nos de pornochanchadas, bandidagens cruéis com enredos medíocres, que nos afastam, muitos, dos filmes brasileiros.                                 

Trazer histórias reais para as telas amplia a percepção e fortalece a identidade nacional. O filme Ainda estou aqui pode ser o recomeço de narrativas que nos incentivem a reapreciar as produções cinematográficas brasileiras.

Dois beijos...

AGRADECIMENTO

Queridos leitores do Jornal da Manhã,

Escrever sobre o comportamento humano e suas curiosidades é uma atividade que me enche de prazer e alegria, tornando-se um verdadeiro lazer. Quando escrevo e leio os comentários que inspiram reflexões profundas, meu coração se enche de júbilo.

Neste momento, a Academia de Letras do Triângulo Mineiro (ALTM) lançou um projeto de contos por meio da Via Cultural Ani Bittencourt. Decidi me dedicar a ele com exclusividade, o que me leva a fazer uma pausa nos artigos semanais.

Quero expressar minha gratidão à querida equipe formada por Lídia Prata, Márcio Gennari e tantos outros, pela oportunidade de exercer a liberdade de expressão e contribuir com um jornal impresso de grande relevância para Uberaba.

A vocês, leitoras e leitores, meu mais sincero agradecimento pela companhia nessa jornada de escrita e reflexão.

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