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Palestrinha

Ani e Iná
gemeasanina@hotmail.com
Publicado em 08/05/2026 às 18:32
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No nosso tempo de jovem, eu e Ani saíamos, passávamos pelo Jockey, onde aconteciam os jogos interclasses, e depois seguíamos para a Linde Lanche. Era uma lanchonete charmosa, sempre existia aquele ritual divertido com moças e rapazes tomando sorvete ou um lanche. Éramos sempre surpreendidas com algum rapaz pagando a nossa mesa.

Hoje, amigas contam outra realidade. Passam horas escolhendo roupa, fazem escova, chapinha, capricham na maquiagem, chegam lindas aos barzinhos… e, quando olham ao redor, só tem mulheres. E dançar, então? Só se já levarem o par. Não sei se os homens ficaram tímidos, acomodados ou simplesmente perdidos nesse mundo moderno, mas algo mudou.

As mulheres continuam fazendo a sua parte, mas parece que eles desapareceram. Algumas amigas se arriscam nos aplicativos de paquera. Conhecem alguém, saem encantadas, sentindo-se especiais, a última bolacha do pacote … até que, de repente, o “príncipe” sugere passar uns dias em sua casa e ainda pede dinheiro emprestado para a viagem. Pronto! O encanto acaba. Vem o bloqueio, a troca de número do iPhone e aquela sensação de “onde fui me meter”. Hoje é preciso ter coração, mas também muito juízo e um pé atrás.

Tenho uma prima bonita, divorciada, que topa tudo: participa de grupos de cinema, vai a churrascos, faz trilhas, aceita convites para casamentos longe… está sempre aberta à vida. O príncipe encantado ainda não apareceu. Daí o que acontece, nada. Não recebe nada de volta. Nem cantada, nem olhares, só palestrinha, bebedeira e muita ressaca.

Outra amiga viveu uma situação curiosa: a noite prometia ser leve, ela se animou com um rapaz bem perfumado… mas bastaram três copos de uísque para ele transformar o encontro em um monólogo interminável, contando sua relação com a ex-esposa, de quem havia se separado há oito meses. No pacote, um filho que ele dizia amar muito e ainda confessou, sem pudor, que queria se aproximar de uma mulher elegante e bonita como ela para causar inveja. A paciência foi a zero. Ela ainda esperava um beijo que nunca veio. Do início ao fim, ele foi um verdadeiro “palestrinha”. Foi frustrante.

Fico pensando: esses homens estão mais infantis ou nós é que nos tornamos mais exigentes? No meu ponto de vista, encontrar um companheiro na maturidade para pagar suas contas no barzinho ou jantar pode elevar a autoestima. Mas, se você é uma mulher bem-sucedida, talvez prefira dizer, com elegância: “Não, obrigada, vamos dividir”. Entende que uma relação saudável começa no equilíbrio. Quando aceitamos favores financeiros, mesmo sem cobrança explícita, muitas vezes surge um desequilíbrio sutil, a mulher deixa de ser protagonista, passa a ceder mais, a seguir programas que nem são os seus. Quase como uma “donzela”. E isso é péssimo para qualquer relação.

A mulher de hoje quer afeto sem imposições. Quer parceria de verdade, construir vínculos leves, mas mantendo sua independência e igualdade dentro da vida a dois.
E onde estão os homens de olhos sonhadores, que se encantam ao ver uma mulher e fazem declarações de amor? Às vezes, parece que estão em extinção. Talvez estejam apenas mais silenciosos, mais raros, ou já comprometidos em relações que deram certo.
Por isso, talvez a questão não seja apenas onde eles estão, mas como reconhecê-los.  Muitas vezes, passam discretos, enquanto os “palestrinhas” ocupam um espaço muito maior do que merecem. 

Muitos homens sentem receio de se aproximar, temendo que sua atitude seja interpretada como desrespeitosa ou até mesmo como assédio. No entanto, quando a conversa flui de forma espontânea e não há sinais de desconforto, dificilmente será confundida com uma abordagem invasiva.

Entre amigas solteiras, viúvas, divorciadas, já maduras… a sensação é de que a fauna masculina está sumindo. Mas será que sumiu mesmo ou só mudou de lugar e de forma?

Dois beijos...

 Anina

gemeasanina@hotmail.com

Academia de Letras do Triângulo Mineiro – Cadeira nº 4

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