ARTICULISTAS

Santuário

Iná e Ani
Publicado em 30/12/2024 às 18:43
Compartilhar

 Muitos de nós temos o privilégio de viajar para lugares incríveis, repletos de experiências únicas. Cada viagem se transforma em um capítulo especial de nossas vidas, carregado de memórias, aromas e experiências que levamos para sempre no coração. Alguns viajam para descansar dos afazeres domésticos, querem sair da rotina de suas casas; outros vão realizar seus sonhos.

Nessas viagens, nós nos hospedamos na casa de parentes, alugamos um flat ou ficamos em hotéis encantadores, verdadeiros palacetes mágicos que parecem sair de contos de fadas.

Os dias vão passando e a magia dos passeios vai diminuindo. Ao final das férias, por mais fascinantes que sejam os destinos escolhidos, a saudade de nossa rotina bate forte. Ao cruzarmos a porta do lar, o reencontro com os detalhes familiares, o aconchego dos cantos que conhecemos tão bem nos trazem uma alegria genuína.

Lembranças desse mundão afora me vêm à mente, quando eu e Ani nos divertíamos tanto! Nossas férias sempre foram inesquecíveis, cheinhas de momentos únicos e histórias que guardamos no coração. Porém, no momento em que sentíamos falta de nosso refúgio, era hora de voltar.

Nossa casa é mais que um abrigo, é o nosso santuário. É o lugar onde a vida cotidiana ganha sentido em pequenos detalhes: a luz suave que atravessa a janela do quarto, a cortina que dança pelas paredes, o toque familiar de cada objeto ao nosso redor. Um pedaço de nós mesmos.

Cada canto guarda um momento da nossa essência: o sofá que abraça nossas reflexões, a mesa que reúne conversas, o cheiro de nosso café e até mesmo nossas plantinhas que silenciosamente testemunham nossas idas e vindas.

Afinal, viajar é maravilhoso, mas nada se compara à sensação de estar em casa, onde tudo fala diretamente aos sentimentos.

A nossa casa não é apenas um lugar físico, é um espaço de troca, de cuidado e de diálogos. Quando em família, nós nos desconectamos desta ligação simples e profunda; o ambiente deixa de ser um ninho e perde o sentido de acolhimento. Afinal, o que transforma uma casa em lar é o afeto; sem ele, o vazio toma conta. Através de gestos simples ressurge o respeito e o carinho, que desafiam a lógica do imediato.

Lembranças da cozinha de nossos avós quando se transformava em um espaço de pura conexão, preparando-nos para uma festividade. Juntos, primos e tias, embrulhando balinhas de coco, enquanto o cheiro do bolo saindo do forno preenchia a casa com aroma irresistível, as mãos habilidosas davam forma aos docinhos, tudo feito com carinho.

Esses momentos, que algumas famílias preservam ao longo da vida, não são só de preparação de uma festa, mas principalmente um encontro de almas. 

Hoje, basta desejarmos um bolo de qualquer sabor e, imediatamente, ele pode estar na mesa. A tecnologia nos oferece essa comodidade, contudo, com essa rapidez, deixamos de perceber que não apenas estamos usando essas benesses, mas também servindo a elas o tempo todo. 

Nesse processo, o ritmo frenético da vida, onde tudo é instantâneo e efêmero, desconecta-nos do essencial. Nossa alma anseia por algo mais profundo, que o consumo rápido e a tecnologia não conseguem preencher. É em família ou com amigos que sentimos que nosso espírito clama por equilíbrio, por algo que traga mais alma e menos pressa ao cotidiano.

Enraizado na simplicidade e no bem-querer, o lar, ninho, caverna, tenda ou refúgio é o nosso santuário, que nos deixa seguros contra as tempestades da vida.

Dois beijos...

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2025Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por