ARTICULISTAS

Segredos revelados

Iná e Ani
Publicado em 16/12/2024 às 18:51
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Papai sempre dizia: “Se você procurar, em toda família vai descobrir um esqueleto dentro do armário”.

Ficávamos encabuladas com essa afirmação. Hoje reconhecemos que ninguém está isento de sombras ou imperfeições. É como se esses “esqueletos” fossem parte do que nos torna humanos e do que constrói a história de uma família. No entanto, é importante ter cuidado ao abrir esses armários. Nem sempre o mundo está pronto a encarar o que encontramos. Como papai insinuava, o esqueleto está lá e cabe a nós decidirmos se estamos preparados para lidar com ele.                                                             

Essa transição entre “esconder e revelar” é um marco de autenticidade. Antes, a vulnerabilidade era vista como fraqueza; hoje, ela é celebrada como coragem. O ato de “abrir o armário” e expor o que está lá dentro, que antes era motivo de dor ou exclusão, agora se torna um pilar de conexão. Cada ferida carregada ali pode ser uma porta para a sabedoria. Abraçar nossas sombras nos transforma, permitindo que sejamos mais inteiros e menos reféns do que tentamos esconder.

Eu e Ani tiramos das sombras algo das profundezas de nosso ser e trouxemos à luz através de um livro, “Viagem Cósmica”. Esses sentimentos trancados guardavam em nós curiosidades e medos. Descobrimos, nos escombros da consciência, um potencial criativo que estava escondido de nós mesmas.

O comunicador Marcos Mion tem sido um exemplo poderoso de como transformar desafios de amor, celebrando publicamente o filho Romeo: “Meu filho é minha força, minha luz, meu propósito de vida”. Ele mostra que não é “superar o autismo”, mas sim aceitar, amar plenamente quem seu filho é, no seu modo de ser mais genuíno. Esse é um ato de coragem de centenas de famílias que se orgulham de seus filhos com “dificuldades”, tirando-os do oculto, valorizando-os e não os escondendo da sociedade.

Nossa geração enxerga com alegria como a narrativa pessoal mudou ao longo do tempo. Hoje, contar nossas verdades, abraçar origens, desafios e identidades, sem medo ou vergonha, deixam-nos transformados e orgulhosos. Paraplégicos, pessoas marginalizadas e tantas outras vozes que, antes silenciadas ou censuradas, saem das sombras e transformam-se no orgulho da família. Que evolução neste mundo preconceituoso!

Vamos praticar atos de humildade e coragem abrindo quartos aterrorizantes, confrontando-nos com esqueletos guardados na mente e na vida.                                                  

Abrir armários é libertador!...

Dois beijos...

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