ARTICULISTAS

Tremembé, as grades da fama

Ani e Iná
Publicado em 27/11/2025 às 18:44
Compartilhar

Você se enquadra entre as pessoas que admiram os vilões: os de verdade e os de mentirinha? A contradição entre maldades e afetos nos acompanha ao longo da vida. Quando crianças, eu, Ani e muitas amiguinhas já víamos nos desenhos animados vampiros, monstros e bruxas como figuras que nos atraíam. Não é à toa que nossos “malditos preferidos” continuam em alta.

Entre os vilões fictícios, tantos personagens marcaram gerações. O Coringa, por exemplo; ou o clássico O Poderoso Chefão, com o mafioso Don Corleone; ou ainda Norman Bates (Anthony Perkins), o dono do sinistro motel que assassina Marion Crane (Janet Leigh). São vilões insanos que nos hipnotizam com seu sorriso infernal, seu carisma que quase supera as atrocidades. Era o “Mestre do Suspense”, Hitchcock, cineasta britânico, nosso preferido. Assistíamos duas, três vezes os seus filmes.

Quando comentamos com amigas sobre novelas, jamais nos esquecemos das grandes vilãs ou vilões. Coautores criaram personagens memoráveis, como a megera Odete Roitman, que até hoje tem legiões de fãs. A identificação com figuras fictícias que se aproximam de verdadeiros demônios não é novidade. Ladras de bebês, como Nazaré; beatas vingativas, como Perpétua; ou personagens inesquecíveis, como Tieta, de Jorge Amado – criaturas maléficas que funcionam como uma catarse.

O diretor Aguinaldo Silva já afirmou em entrevistas que suas vilãs “fazem coisas horríveis e depois fazem piadas; é isso que as humaniza”. Não é difícil entender porque tantos telespectadores ficam presos a essas figuras icônicas, que riem na cara do perigo. Às vezes, somos engolidos por elas. Crescemos, mas o fascínio permanece intacto. A linha tênue entre a ficção e a realidade dos crimes atrai a atenção.

Do universo da ficção, passamos para o real: o filme Tremembé, o presídio dos famosos, ecoa pelos quatro cantos do Brasil. Lá estiveram personagens envolvidos em crimes de grande repercussão. Os mais recentes: o ex-jogador Robinho e o empresário Thiago Brennand, condenados por estupro.

Também cumpriram pena em Tremembé: Suzane von Richthofen, manipuladora condenada pela morte dos pais; Daniel e Cristian Cravinhos; Elize Matsunaga, acusada de esquartejar o marido; Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni, condenados pela morte da filha Isabella; Sandrão, condenado por sequestro e homicídio do vizinho de 14 anos em Mogi das Cruzes; Roger Abdelmassih, sentenciado por 48 estupros e dezenas de crimes sexuais contra pacientes.

Após tantas crueldades, a realidade surpreende: Suzane hoje “bomba” nas redes sociais com um perfil de artesanato. Vive em regime aberto desde 2023, casada, com um filho, em família no interior de São Paulo.

Sandrão, em 10 anos de liberdade condicional, moveu uma ação de três milhões contra a Amazon por danos morais e direitos de imagem, que corre na 1ª Vara Cível, em Mogi das Cruzes.

Os irmãos Cravinhos cumprem pena em regime aberto, assim como Anna Carolina e Alexandre Nardoni, que também estão em liberdade.

A notoriedade da prisão como o local onde assassinos famosos cumprem pena desperta curiosidade específica sobre como é a vida lá dentro e o que acontece nos bastidores. As séries que retratam esses casos convocam o público a refletir: o que é a vida dentro e fora das grades? Nós queremos conhecer o lado sombrio da humanidade e, de certa forma, entender o mal no mundo.

E surgem as perguntas difíceis: será que esses assassinos cruéis deveriam transitar entre nós após o cumprimento, muitas vezes reduzido, da pena? Existe “cura” para delinquentes? Como avaliar algo tão complexo? Prisão perpétua? Pena de morte? Ou deixamos a vida seguir, confiando que o remorso um dia chegará?

A vida segue, cambaleante, entre perguntas que nunca se calam. E nós, espectadores, continuamos nessa eterna fronteira entre fascínio e espanto, tentando entender por que, afinal, o mal real ou inventado tanto nos atrai.

Dois beijos...

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por