ARTICULISTAS

Eternos malabaristas

Anina
Publicado em 16/10/2026 às 19:32
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Por que temos essa mania de nos comparar?

Às vezes, sem perceber, diminuímos o nosso próprio valor e também o valor de amigos, de filhos e das pessoas que amamos. Esquecemos que cada pessoa tem seu próprio jeito de ser, seu tempo, sua história e, principalmente, um dom especial. Há quem prefira passar despercebido, sem fazer questão de aparecer, vivendo no anonimato. Muitas vezes, nos prendemos a objetivos que acreditamos serem importantes, mas que, no fundo, talvez nem façam tanto sentido para outros. 

Outro dia, ouvi uma conferência em que um executivo disse que “a vida é como um jogo de malabares com cinco bolas de vidro: saúde, trabalho, família, amigos e espírito”.

Fiquei pensando qual dessas bolas poderíamos deixar cair. Na verdade, nenhuma. Cada uma tem seu valor e, ao longo da vida, precisamos aprender a reconhecer o que é essencial e reorganizar nossas prioridades. Nem sempre conseguiremos cuidar de tudo da mesma maneira, mas podemos aprender a olhar com mais carinho para aquilo que realmente importa.

A vida parece, muitas vezes, uma corrida sem linha de chegada. Quanto mais caminhamos, mais percebemos que alguns sonhos parecem distantes e que certas metas ficaram maiores do que imaginávamos. Talvez isso aconteça porque esperamos de nós mesmos mais do que somos capazes de oferecer naquele momento. E talvez esteja aí uma das grandes dores das comparações: elas nos fazem olhar para a vida dos outros e acreditar que estamos ficando para trás. Olhamos para a frente e nos assustamos com a distância que ainda falta. Olhamos para trás e sentimos que não chegamos tão longe quanto gostaríamos. Porém, quem disse que precisamos chegar a algum lugar específico para que nossa caminhada tenha valor?

Talvez alguns sonhos precisem ser ajustados. Outros precisem de mais tempo. E talvez alguns precisem simplesmente ser deixados para trás, não como uma derrota, mas como uma maneira de abrir espaço para algo novo, mais leve e que faça verdadeiramente sentido para nossa existência. Afinal, ninguém é o centro do universo, não precisamos medir nossa trajetória pela régua de outra pessoa. A vida não é uma competição, e cada um de nós tem seu próprio tempo para florescer.                                                                                                                                         

No fim, talvez o mais importante não seja chegar primeiro, nem chegar mais longe. Lembre-se: não precisamos correr. Podemos apenas continuar. Um passo de cada vez, no nosso tempo, com carinho por quem somos e por tudo o que ainda podemos transformar em nossas vidas. E como malabaristas não deixarmos cair as cinco bolas de vidro que tornam nossa caminhada valiosa.

Como bem disse Cora Coralina, “o importante na vida não é o ponto de partida, nem a chegada, mas sim a caminhada".

Dois beijos...

Anina                   

Pesquisadora e escritora

gemeasanina@hotmail.com                                                                 

Ocupa a cadeira 4 da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

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