ARTICULISTAS

Mulher-Maravilha

Anina
Publicado em 30/09/2026 às 20:07Atualizado em 30/09/2026 às 20:07
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Quem não conhece uma amiga “Mulher-Maravilha” na vida? Aquela que parece dar conta de tudo. Ela cuida da casa, resolve os problemas dos filhos ou netos, assume as finanças, organiza daqui, providencia dali… Além disso, cuida da mãe doente, vai à feira, à igreja, à academia e aos encontros sociais. Para ela, não existe ponto final.

Até que, um dia, ela te liga e desabafa: “Estou cansada, o dia foi puxado”. E, assim, ela segue, compartilhando o diário de uma vida em que a necessidade de monitorar tudo a deixa completamente exausta.

Será que a vida realmente exige que controlemos cada detalhe? Essa sobrecarga exagerada nasce de uma cobrança, externa e interna, para desempenharmos múltiplos papéis com superpoderes que não temos.

É aí que, ao observarmos essa “Mulher-Maravilha”, que todas somos um pouco, precisamos nos lembrar de que não é necessário ser perfeita o tempo todo. Nós também podemos descansar, deixar algumas pendências para amanhã, cuidar de nós mesmas e simplesmente respirar. Dar conta de tudo não é uma obrigação; o autocuidado é que faz parte da vida. A capa da “Mulher-Maravilha” pesa.

O esgotamento moderno não vem apenas do trabalho formal. É o cansaço emocional que chega de mansinho e toma conta de tudo, sem avisar. A depressão pode se aproximar sem gritaria. Em silêncio. Parece que, se saímos, somos obrigadas a entregar uma “performance”, a sermos otimistas mesmo quando as coisas estão fora de controle, sem direito a pausas.

O resultado? Acordamos cansadas e, ao abrir a caixa de e-mails, WhatsApp, Instagram, somos soterradas por mensagens que exigem respostas imediatas. O cansaço transborda e a depressão vem com força. Nessas horas, nem um banho quente nem a cama parecem resolver; ficamos psicologicamente indisponíveis.

Talvez o nosso tempo esteja pedindo outra coisa: menos cobrança e mais pausas. Nem todo dia precisamos ser altamente produtivas. Há dias em que simplesmente continuar de pé já é uma grande vitória. O antídoto para esse ruído mental pode estar na meditação, em um curso de respiração ou no silêncio. O cansaço chega sem alarde e, quando menos percebemos, vai ocupando espaços que antes eram nossos.

Não precisamos carregar o mundo nas costas o tempo todo. Nada vai desmoronar se voltarmos os olhos para nós mesmas. Às vezes, o verdadeiro cuidado está em parar, respirar e lembrar que também precisamos de atenção e descanso. Significa deixar a vida fluir um pouco mais, sem seguir roteiros intermináveis. Nem Amélia nem Mulher-Maravilha: eis a questão!

Dois beijos...

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