Estive esses dias em São Paulo e, ao entrar na rua 25 de Março, fiquei encantada com as lojas já todas enfeitadas para o Natal. Repeti para mim mesma o slogan: “Parece que foi ontem”.
As velhas e repetidas canções de Natal, de todos os Natais, embalavam aquelas ruas e chegavam à minha alma. O tempo implacável e impiedoso, que passa tão depressa, vai nos atropelando nesta vida louca e instável.
Ao ver tanta modernidade, fiquei pensando em como enfeitar minha casa. Compro as belezas em LED ou néon, lanternas que, ligadas a uma tomada, espalham brilho por todos os lados. Papai Noel em sua carruagem de trenó, andando no teto e nas paredes das lojas; a manjedoura com brilho intenso em um espetáculo mostrando o nascimento de Cristo. Um verdadeiro show de beleza!
Mas essa beleza representa o meu Natal? Certamente os filhos, netos e amigas vão se encantar.
Lembrei-me das árvores dos nossos Natais: pinheiros cobertos de algodão para parecer neve, árvores artificiais, cada ano com suas bolas e laços, o presépio de cerâmica. O Natal chega como um freio de arrumação. Os filhos cresceram, vieram os netos, tantas perdas vividas ao longo dos anos... Porém, ficaram os abraços que deram certo, o milagre silencioso de estarmos aqui inteiros, apesar das curvas das estradas. Então, o tempo ainda nos pertence.
Se a tecnologia padronizada não for bem-vinda em nossa casa, vamos buscar no quartinho de despejo a velha árvore de Natal à espera de ser desembrulhada e colocada na sala, agora enfeitada com novas bolas coloridas. E, junto dela, desembrulhar o presépio de todos os anos.
Nossa árvore antiga e nosso presépio carregam muito mais do que enfeites. Guardam histórias, pessoas, afetos e lembranças de tantos Natais vividos.
A modernidade encanta os olhos, mas são as tradições que aquecem o coração. Talvez o verdadeiro encanto do Natal esteja justamente nisso: renovar os enfeites sem abrir mão das memórias, acolher o novo sem deixar para trás aquilo que nos conta quem somos.
Porque há coisas que o tempo não envelhece. Apenas torna mais preciosas. O nosso Natal tem raízes, tem histórias, tem saudades e, acima de tudo, tem amor.
Talvez não precisemos escolher entre o novo e o antigo. Podemos deixar que as luzes modernas encantem os olhos, enquanto a nossa árvore e o nosso presépio continuem contando, silenciosamente, a história da nossa família.
Assim, arrumamos a casa, convidamos nossos amigos e reacendemos o otimismo e a esperança do nascimento de Cristo. Nossa tradicional árvore de Natal e nosso presépio não são apenas objetos de decoração, mas sim portais para as nossas lembranças.
Afinal, o Natal mais bonito é aquele em que a decoração também tem memória. 🎄
Dois beijos...