ARTICULISTAS

Por favor, aceite meu complexo de herói!

Anina
Publicado em 04/11/2026 às 19:13
Compartilhar

Lembro-me perfeitamente do dia em que, parada no semáforo, vi um rapaz de aproximadamente trinta anos vendendo paçocas. Ele me entregava o doce e recebia as moedas com gratidão. Em outra ocasião, vi em outra esquina um fazendo malabarismos no sinal, esperando que eu lhe desse alguma recompensa. Eu olhava para ele e pensava: “Coitado! Que vida triste!” Mas, de repente, uma pergunta me ocorreu: será que ele se sente assim? Será que se vê como alguém digno de pena ou será que o rótulo de coitadinho é uma interpretação minha?

Afinal, será que enxergamos o outro como ele realmente é ou apenas como imaginamos que ele deveria ser?!

Minha amiga contou que sempre sonhou em levar os pais para uma linda viagem, querendo proporcionar-lhes momentos felizes. Sempre teve dó, ao viajar, de deixá-los em casa, presos à rotina, às preocupações ou à pressão do trabalho doméstico. Foi na internet que achou um litoral, lugar bonito, longe dos problemas cotidianos, para levar os pais e lhes proporcionar alegria. Mas, assim que chegaram ao destino, após três dias, ouviu a pergunta: “Quantos dias ainda faltam para a viagem acabar? Estamos doidos para voltar para casa e ficar no nosso canto!”

Esse nosso “complexo de herói” de pensar que conhecemos a realidade do outro pelos nossos próprios valores, achando que é sofrimento, leva-nos a refletir. É nesse momento que precisamos compreender uma verdade simples: nem sempre o que consideramos bom para alguém corresponde ao que essa pessoa necessita.

Quem de nós nunca pegou uma carona, por insistência de alguém, para fazer um passeio e acabou adorando a experiência? Ou aceitou uma viagem e se sentiu amarrado a uma viagem programada pelos outros, sob o argumento de que precisava mudar de ares e ficou ansioso para voltar?

Por favor, cuidado com o nosso “complexo de herói”! Talvez, inconscientemente, essa atitude nos faça sentir úteis, importantes e valorizados.

Então, vamos largar essa mania de enxergar coitadinhos por toda parte? Nem todo mundo quer ser salvo por nós.

Antes de querermos mudar a vida do outro, que tal olharmos para dentro de nós mesmos? Como está o nosso coração? Será que, nessa história toda, o verdadeiro coitadinho não é ele, que ainda precisa aprender a amar sem controlar, ajudar sem se impor e respeitar o outro sem tratá-lo como alguém inferior?!...

A verdadeira compaixão não diminui ninguém. Ela acolhe, respeita e reconhece que cada pessoa tem o direito de conduzir a própria vida. Ajudar não é decidir pelo outro, mas respeitar sua maneira de viver.

Dois beijos...

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por