Senti sadia inveja, quando vi, há tempo, nas regiões francesas e italianas grandes vinhedos, que não são como os daqui, mas arbustos cacheados, escorados em estacas brilhando ao sol morno das encostas europeias. Cada qualidade de uva pronta para barris de carvalho, envelhecendo-a. A única coisa que envelhecida é cobiçada pelos bons amigos do vinho... Ah, “questo vino spumegiante”, hora do brinde cantado em coro na ópera de Mascagni, “Cavalleria rusticana”, e que meu saudoso pai entoava toda vez que sorvia o precioso néctar do deus Baco.
Através dos manos Adelmo e do saudoso Alaor José, comecei a perceber as pérolas, o aroma, tão abstrato como o cheiro e o gosto forte do tanino em meio ao sabor frutado ou floral da bebida, que aplaca ira e desperta valores nobres, que outras bebidas destroem. Tanto que meu irmão Adelmo tem espaço climatizado a refrescar as muitas bodegas preciosas, regalando-nos em meio ao clima sempre tropical destas plagas. Bebida servida nas bodas de Caná, portanto sagrada, é abençoada na mesa de abastados e remediados, creio. As uvas trazem nomes qualificando o vinho e a mais popular é a cabernet sauvignon, erradicada em climas frios, seguida da pinot noir, chadornay, merlot, e classificando-se em três categorias: Primárias, dependendo das uvas; secundárias, da fermentação, e as terciárias, envelhecidas nas garrafas dado ao açúcar que forma o teor alcoólico e devido ao tempo de fermentação em tonéis. Há quem sinta cheiro de cravo, baunilha e caramelo, perceptíveis nos vinhos tintos e em alguns brancos. Os tonéis de carvalho valorizam o produto. A colheita gerando o vinho da uva mais nobre – a sauvignon – não se presta a envelhecimento demorado em carvalho, mas em tonéis inox, consumindo-o no espaço de seis anos. Floresce apropriadamente em Bordeaux, na França. No clima frio ao sul de Nova Zelândia e no Chile, dão produções especiais. A uva shiraz ou syrah, originária do Vale do Rhône, colhida em pleno verão, traz envelhecimento por décadas ao vinho. De cor rubi intensa, traz “notas” de carne e alcatrão, com forte acidez. Se colhidas verdes, o que é desapropriado, tornam-se de forte sabor ácido. Também na Argentina, em Mendoza e San Juan, há o frutado shiraz.
Há na Internet, wine.com.br, e também revista com o mesmo nome que nos encaminha a boas aulas sobre o vinho. Os “sommeliers” dão sugestões e descrevem aromas de cada vinho a degustar. Dela, retirei esse estudo sobre o néctar dos deuses. Até o país da Copa de 2014, na África do Sul, trouxe bons vinhos. A Folha de S. Paulo fez, há algum tempo, lançamento de livros a respeito dessa bebida saudável. Nosso excelente Jornal de Uberaba traz página semanal de Carlos Alberto, que nos motiva a apreciar uma taça de bom vinho nos almoços de todo dia... Nas reuniões de enólogos, dispensam-se o rebuscado, o esnobismo, que podem não corresponder ao caráter do degustador e nem dos novos adeptos, sentindo-se “peixes fora d’água”.
Há todo um ritual para se degustar vinho: taças longas de bojo largo, abertura da garrafa e como sorvê-lo aos poucos, sem encher a taça, que deve ser ocupada em um terço dela. O vinho tinto traz temperaturas que vão de 7 a 16 graus. É apenas resfriado se a temperatura estiver quente. Mas, se o frio nos chega, bom colocar o vinho em espaço mais aconchegante, atingindo a temperatura ideal. O saca-rolhas aconselhável não o tipo “borboleta”, prevalecendo o de bastão, sem que a cortiça se desfaça e caia na garrafa. Limpa-se o gargalo e coloca-se a rolha em um pires. Um balde com água e algumas pedras de gelo mantém a temperatura do vinho tinto, enquanto o vinho branco é emborcado até o gargalo com bastante gelo no balde, já que é sorvido bem gelado. Para que os aromas se expandam, se o vinho for de safra nova, bom decantá-lo uma hora antes de servir para que fique mais solto e “macio”. Já o “vinho velho” não precisa, por estar maduro. A ordem de sorvê-los vai do branco leve e espumantes ao rosado, o Madeira e o champagne, o tinto leve, o encorpado ao vinho doce para a sobremesa. Acompanhando o ritual, a água é ingerida nos entreatos da sublime degustação. In vino, veritas!
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