ARTICULISTAS

Um 5° rosto na montanha

Cesar Vanucci
cantonius1@yahoo.com.br
Publicado em 05/05/2026 às 17:40
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“Até que não seria nada mau!” (Donald Trump)

Acredite se quiser, ou se puder! O teatro político contemporâneo, sobretudo com o advento da “era Trump”, tem sido pródigo em oferecer espetáculos de pura bizarrice. A história contada a seguir, levada a sério por fervorosos adeptos do agrupamento fundamentalista liderado pelo atual inquilino da Casa Branca, reforça cabalmente essa assertiva.

Senão vejamos: no estado americano de Dakota do Sul, mais precisamente no Monte Rushmore, existe um colossal monumento — uma espécie de Olimpo petrificado — com as efígies dos Patriarcas apontados na reverência popular como construtores da grandeza dos EUA. São eles: George Washington, comandante do Exército na Guerra de Independência e primeiro presidente; Thomas Jefferson, autor da Declaração da Independência; Theodore Roosevelt, pioneiro do pujante ciclo de desenvolvimento industrial; Abraham Lincoln, Pai da abolição da escravatura, responsável pela unificação política do país.

Os rostos foram esculpidos no topo da montanha a 1.745 metros acima do mar. Cada um deles tem 18 metros. Por motivos mais do que óbvios, o local atrai turistas de todas as partes. O cinema tem explorado à exaustão o magnífico cenário. Um exemplo icônico é o do filme Intriga Internacional (1959), de Hitchcock. As cenas da perseguição frenética sobre os rostos de granito reforçam o gigantismo do local.

Deixando o imponente Rushmore e o panteão dos mitos sagrados, fixemos agora a atenção noutro importante marco cívico, o Capitólio, Washington. No gabinete da deputada republicana Anna Paulina Luna, nos corredores e plenários do Congresso Nacional trabalha-se febrilmente em favor da aprovação de proposta parlamentar que garanta a afixação do rosto de Donald Trump, com seu topete dourado, ao lado dos heróis da pátria no majestoso monumento.

Confessando-se lisonjeado com a iniciativa da leal correligionária, sublinhando que seus feitos dão origem a esse tipo de manifestação, Trump não deixa por menos: “Até que não seria nada mau!” A proposição vem gerando, obviamente, reações que vão do espanto à zombaria. Partidários do emplumado governante atribuem as críticas a “invejosos” militantes democratas, que fingem desconhecer os “feitos” de Trump, em particular sua contribuição para a causa da confraternização universal...

Cabe aqui anotar que o “Culto à Personalidade”, ou seja, o “monometalismo autocrático” incentivado pelo chefe de governo, tem permitido sejam seu nome e imagem estampados em numerosos arranha-céus espalhados pelo país. Além disso, tramita em casas legislativas projeto para que seu rosto apareça em cédulas e passaportes e seu nome rebatize o aeroporto da Capital Federal. E não é que personagens como Hitler, Mussolini, Stalin e Mao Tsé-Tung encaravam com entusiasmo essa mesma prática? Resumindo: cara petrificada ou cara de pau?

cantonius1@yahoo.com.br

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