Hoje falarei de calçadas. Pois não falta assunto sobre o lugar em que as pessoas sentam e, munidas de seus celulares, veem quem está do outro lado do mundo. O que antigamente os olhares se limitavam à dobra das esquinas da rua. Começo com Antônio Soares Calçada, falecido ex-presidente do Vasco, que deve estar se removendo de alegria no túmulo, haja vista nosso Vasco ter ganho de virada do Fluminense por 3 a 2. Com gol aos 49 minutos, jogou uma pá de cal nas pretensões do Tricolor. Mas, como vascaíno, não vou muito me alegrar, porque eu sei que, daqui para terminar o campeonato, não cair para a Segunda Divisão já vai ser como ganhar o título.
Cito também da amizade que fiz na calçada ao sair do Hospital São Vicente de Paula, quando fui buscar remédio para uma pessoa da família, e, ao parar debaixo de uma árvore para escrever uma mensagem, eis que se aproxima um senhor, até então desconhecido, Reginaldo, afirmando ser a sombra de árvore boa, mas que periga quebrar toda a calçada, pois plantou uma árvore de figo e castanhola em frente à sua casa, em Salgado de São Félix, e a raiz, sem pedir licença, invadiu casa adentro, estourando na sala. Pegando o morador de calças curtas, ante aquela situação. Mas que, para as pessoas, parecem mais buracos de teju ou tatu.
Já tido por satisfeito com o assunto calçada, após o retorno do almoço, avisto algo que até hoje não consegui entender, por mais que me expliquem. Um grupo de trabalhadores da empresa EMKO – Construtora, Artur, Joseilton e outros, tirando o nível da calçada (que significa botar no nível. Armadilhas da língua portuguesa). Peço licença, apresento-me e comento sobre esse detalhe. Senhor Francisco explica-me com toda boa vontade, e cá pra nós, continuo sem entender. Contudo, o que podemos aprender com mais essa calçada? Que, mesmo como seres humanos imperfeitos, podemos usar nossa inteligência para pôr desníveis no nível.