Não é sexta-feira 13, como se costuma atribuir de azar. E sim o primeiro dia de maio. Um dia para comemorações e confraternizações. Mas a tragédia resolveu intervir, como sempre, sem pedir licença. Num dia chuvoso, fez-me relembrar a minha Guarabira dos anos 70. Enquanto num sábado brincava com meu amigo Sergio, no posto de gasolina do seu pai. Corremos para ver a barreira que caiu sobre uma criança e seu burrinho, matando-os. Tinha a nossa mesma idade e já trabalhava.
Aquela cena jamais saiu da minha cabeça. Não sei se era época de chuva. Crianças não se ligam muito nesses detalhes técnicos. Para elas, qualquer tempo é tempo. Mesmo em meio a enchentes; servem-lhes como piscina. Sem dúvida, o criador age em suas mentes como se um paliativo fosse. Que faz tudo parecer uma aventura, em que sempre poderão contar com a aparição de um super-herói, que surgirá no finalzinho, causando suspense, para salvá-las.
Mas no mundo adulto tudo isso se acaba. As esperanças de um final feliz nem sempre se concretizam. Temos que conviver com a dureza da realidade nua e crua. Sim, ninguém esperava, mas aconteceu o pior. Por mais que se tenha cuidado, mesmo calculados os riscos, as coincidências entre duas matérias adversas no mesmo espaço de tempo, são ações imperdoáveis para a física não quântica. Dois dos organizadores da corrida em alusão aos trabalhadores morreram eletrocutados. Por isso, tivemos hoje lágrimas misturadas com as da chuva.