A Banda Trepidant’s tocava na quadra do Colégio Santo Antônio, Guarabira, Paraíba, nos tempos do Dancing Days. Escorados na grade, meu amigo e eu, olhando as pessoas dançarem na pista e outras vindo buscar cervejas no tonel cheio de gelo misturado com serragem. O freezer da época.
Nisso, surge uma mulher, morena clara, cabelos compridos, vestida de macacão preto, colado no corpo, com a costura aberta na lateral das coxas. Como canta Alceu Valença: “Na curva de suas ancas”. Daí, começou a minha cantoria: Psiu! Ô bicha boa, e meu amigo fazendo coro. Crendo abafarmos mais que os cantores.
Só que, não demorou muito para sentir a minha orelha sendo repuxada para trás. A fiscal de menor Gisonita, tendo sido comunicada do ato infracional, como um disco em baixa rotação: “Paaasse praaa caaasa agooora. Apreenda a respeitar as mulheres. Ela pode estar nua”. Saí andando na ponta dos pés, trepidando mais que os Trepidant’s.
Dessa noite em diante, do raiar da aurora, nunca mais distratei mulher alguma, por mais que mostre seu corpo. Mas daí alguém pergunta: “Sim, e onde o cachorro Orelha entra nessa história?”. Não entra. Porém, os jovens que o fizeram sair desse mundo... Como eu, também têm orelhas.