Menty e Rosso eram dois irmãos que gostavam de inventar histórias, que logo se revelavam como estórias. Pantaleão, para eles, era um amador, e nem perguntar a Terta se era mentira eles se davam ao trabalho, pois a opinião de Terta para os tais não seria considerável.
Acordar pela manhã e não inventar uma estória, mesmo sem pé nem cabeça, causava desassossego. A mentira era como o ar que respiravam. Para se ter uma ideia, a melhor passagem bíblica na concepção deles se deu quando os sacerdotes pagaram aos guardas para dizerem que o corpo de Jesus fora roubado.
Afinal, se enganar alguém já era o máximo, imagina um povo durante milênios. Se o diabo é o pai da mentira, problema de quem acha, porque para ambos os irmãos a verdade não tem graça alguma, pois só tem um viés. Já a mentira... Ah, essa sim, oferece muitas opções de devaneios. Assemelha-se a uma droga, que causa adrenalina, sensação de mistério, de ter vantagem sobre a vítima indefesa.
Até que um dia, um deles não apareceu para o café da manhã. No que indo seu irmão ao quarto verificar, lá estava, desacordado, desmaiado, inconsciente. Passara mal durante a noite, pediu socorro, uma, duas, três vezes, mas o outro não acreditou, voltara a dormir.
Agora, num verdadeiro desespero, corre as redes sociais pedindo ajuda para o irmão. Mas do outro lado da tela, os seus muitos seguidores pensaram unânimes... Esses irmãos estão a cada dia mais profissionais, mal o dia amanheceu e já estão postando conteúdo. Ainda vão longe.