Subo no ônibus. Como sempre me dirijo para a parte de trás. Lá, uma mãe com três crianças pequenas. A de tamanho mediano, o menino, talvez com uns três anos de idade, pelo menos era o que aparentava. “O senhor quer sentar?”. Não, obrigado! Pode ficar sentadinho. “Eu nunca me sento mesmo”. Pensei, mas não falei.
A mãe conta da vida para outra senhora - queira algum psicólogo estagiar, vá aos consultórios no fundo dos ônibus - da sua história de mãe solo (não para fazer), narra como é cuidar de três filhos sozinha; no pescoço de um deles o cordão indicativo de transtorno... Melhor dizer só autismo mesmo, porque algum transtorno, quem de nós não tem? Haja cordões coloridos.
Chegada a hora de eu descer, ponho a mão na cabeça de cada um e ministro a benção de Deus para suas vidas. Ouço um amém coletivo. Findo desejando à mãe sabedoria para criá-los. Ela sorri agradecida. Sigo meu caminho pensativo... “Pelo menos, até onde sei, não pediram para nascer...” Qual a cor do seu cordão? Seria igual ao meu?