Definitivamente, estamos reféns da internet. Não há para onde correr e/ou a quem recorrer. Faz lembrar um filme que assisti nos Corujões da minha adolescência, no qual um homem, querendo comprar uma passagem, ia de um guichê para o outro, tendo que passar em meio a uma multidão, e no guichê indicado recebia a informação de que teria de voltar para o outro. Virou uma bola de pingue-pongue humana.
Por falar em metamorfose ambulante, na madrugada da sexta para o sábado, após tentar adentrar pelo computador na minha conta do Instagram, fui direcionado, por segurança, a digitar a senha. Eu, logo “muá”, que tenho uma única senha para tudo, apenas invertendo-a, não consegui lembrar da dita cuja. Resultado... Fui compelido educadamente a fazer um vídeo selfie (um autorretrato em movimento).
Segui todos os procedimentos... Lugar iluminado, cabeça encaixada no pontilhado ovalado, sendo elogiado como se do outro lado houvesse alguém da equipe acordado me atendendo. Cabeça virada para a direita, para a esquerda, inclinada para cima (lá vai eu olhar para o teto). Pronto, obediente, pensei: se com as senhas bancárias consigo sempre... Mas qual o quê, esqueci que com as senhas dos bancos, esses pagos, não vão querer perder clientes. Por conta desse mero detalhe, fiz o procedimento umas dez vezes para nada. Só sei que o que mexi com a cabeça, lagartixa não mexe num ano.
Pela manhã, desci, fui para a rua, encostei-me na parede da escola iluminada pelo sol, mais claro que isso impossível, e tornei a virar a cabeça para cima, para a direita, a esquerda, e necas de pitibiriba. Até agora estou não-instagramável. A segunda opção viável seria uma mensagem da plataforma a dois amigos meus, para confirmarem a minha identidade. Só que mais essa, os amigos, cerca de uns dez da lista apresentada, são escolhidos pelo algoritmo. Nem mesmo tenho o direito de escolha.
Virei um Lagartixa Man, literalmente subindo pelas paredes, sem conseguir interagir com meus contatos nem saber o que se passa no emaranhado das redes sociais. A espera de chegar a segunda e pedir aos colegas selecionados para me auxiliarem nessa proeza, de tentar convencer uma máquina, que, pelo bem da minha própria segurança, conseguiu me deixar tão inseguro, fazendo-me duvidar, pelo jeito que a humanidade progride, se realmente eu sou eu.